Assisti no cinema Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014) de Alejandro Gonzáles Iñárritu. Eu queria muito ver esse filme, já tinha tentado em outra data. Nem achei que estava ainda em cartaz, foi uma felicidade descobrir que estava em algumas salas em poucos horários. Gosto muito desse hábito atual dos filmes não ocuparem uma sala na totalidade e estarem em alguns horários. Eu amo esse diretor mexicano, está entre os meus preferidos. Seus filmes são sempre densos e difíceis. Birdman é baseado no livro de Raymond Carver,
Eu tinha visto Babel de Iñarritu e Birdman é muito diferente. Babel é global, grande elenco, em vários países. Birdman tem um pequeno elenco, cenas intimistas, muitos monólogos. Incrível como esse diretor é versátil. As caminhadas de câmeras são impressionantes. Mais impressionantes é que elas não seguem o ator, em algum momento a edição tem uma união onde vai para outro tempo, absolutamente genial, mas nós nem percebemos. Uma aula de cinema.
Birdman permite tantas leituras, é tão complexo, com tantos temas, que é difícil falar sobre ele. É definitivamente o melhor papel de Michael Keaton. Incrível como o filme se mistura a realidade, tem metaliguagem. Fala de família, teatro, cinema, indústria americana de cinema, idade, prepotência, drogas. São tantos assuntos que fica fantástico.
Estranhamente Birdman fala de algo muito atual que se confunde com a vida do ator. O protagonista fez várias sequências de filmes de super-heróis, o Birdman. Ganhou muito dinheiro e é uma celebridade, mas ele só emprestou o corpo para o super-herói, nem a voz é dele, a maioria são efeitos especiais. Será então um ator? Interessante que a questão da celebridade também é forte no Brasil, alguém que fica famoso, mas não pelo seu talento e a dificuldade de depois tentar provar que é bom em algo e lidar com todo o preconceito. O protagonista quer estrear uma peça na Broadway e é questionado por todos se merece ocupar um teatro quando atores de verdade poderiam fazê-lo bem melhor. Mas será mesmo? Outra ironia é que eles precisam trocar um ator que teve um acidente, mas todos os ótimos atores que desejam estão comprometidos com filmes de super-heróis e suas sequências como Robert Downey Jr.
Os atores estão despidos de suas vaidades como no teatro. Fazem muitas cenas ridículas. Também não há tratamento de imagem que atenuem as rugas, estão lá com suas imperfeições e idade real. O elenco é todo maravilhoso e com atores que amo: Naomi Watts e Edward Norton. Outros que estão ótimos são: Emma Stone, Zach Galifianakis, Andrea Riseborough e Amy Ryan. Birdman ganhou merecidamente inúmeros prêmios: 4 Oscars - Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia. Michael Keaton ganhou Melhor Ator de Comédia no Globo de Ouro.
Neste blog tenho do mesmo diretor o maravilhoso Biutiful.
Muitos amigos blogueiros falaram do filme aguçando a minha vontade de ver. Só agora que vou ler em detalhes porque não gosto de saber antes detalhes dos filmes. Vou linká-los aqui: Panoticum Filme do Dia
Fui ao Concerto em comemoração ao Dia Internacional da Mulher com a Orquestra de Cordas Laetare no Círculo Macabi. Regência de Muriel Waldman. Para comemorar, a orquestra interpretou obras de compositoras: Elaine Fine, Chiquinha Gonzaga, Nilcéia Baroncelli e Emilia de Bendictis, belíssimas obras. Nilcéia Baroncelli estava na plateia e contou a história do Fio de Ariadne, onde o herói vai matar o Minotauro e vai com o fio feito por Ariadne para voltar no labirinto depois, e que essa obra em um determinado momento começa a ser de traz para a frente. E obras de compositores em homenagens às mulheres.
No programa dizia que a Orquestra de Cordas Laetare foi criada em 2008 por um projeto de formação de plateia. A orquestra tocou em escolas, teatros, sempre de graça, com repertório acessível para formar público. Acabado o projeto, os músicos resolveram continuar.
Assisti ao programa Grandes Atores com Mateus Solano no Canal Viva. Após o sucesso do programa Damas da TVo Canal Viva criou o Grandes Atores. Eu gosto muito do Mateus Solano. Ele falou que acreditava no teatro, era um ator de teatro. Que fez pequenas participações na TV até ser chamado para interpretar o Ronaldo Bôscoli na minissérie Maysa. Foi aí que teve reconhecimento na televisão e ficou mais conhecido pelo público. Mateus Solano contou que foi só depois de ver a repercussão do seu personagem Félix em Amor à Vida e por ter atingido tantas pessoas para discutir sobre preconceitos que ele viu o poder transformador da TV e da velocidade da TV em modificar pensamentos. Que o teatro é transformador, mas que a TV também tem um importante papel.
Assisti O Menino no Espelho (2013) de Guilherme Fiúza Zenha no Canal Brasil. Eu queria muito ver esse filme, tentei nos cinemas, mas não consegui. Fiquei muito feliz quando passou no Canal Brasil e adorei. É baseado no livro de Fernando Sabino, livremente inspirado no livro Alice no País do Espelho. Lino Facioli faz os dois meninos. Ele é um menino inteligente, cheio de vitalidade. Acaba saindo outro menino igual a ele do espelho que passa a viver a vida chata e ele livre pode fazer o que quiser. Uma graça o ator.
Adorei ver a Giovanna Rispoli no elenco. As crianças são todas ótimas. Os pais do menino são interpretados por Regiane Alves e Mateus Solano. Ainda estão no elenco: Laura Neiva, Ricardo Blat, Gisele Fróes e Murilo Grossi.
Assisti a novela Boogie Oogie (2014-2015) na TV Globo. Escrita por Rui Vilhena e dirigida por Ricardo Waddington. Já estou com saudades. Amei a novela ambientada nos anos 70. Cheia de suspense, romance, comédia, ágil, bem editada, excelente texto. Genial! Quando pensávamos que um mistério tinha sido revelado aparecia outro desdobramento. A trama principal era das filhas trocadas na maternidade. Uma amante largada, cheia de ódio, paga uma enfermeira sem escrúpulos para trocar os bebês. A novela começa quando essas jovens já são moças e a ex-amante volta para se vingar para localizar as moças e desestabilizar o ex-amante.
Bianca Bin arrasou com uma das filhas trocadas. Uma é filha de um amoroso mas austero militar de classe média. A outra mora em uma mansão de um pai amoroso que a mima de tudo quando é jeito e uma mãe cruel e indiferente. Tanto que a mãe fica feliz de saber que é a filha não é a filha, mas odeia a outra também.
A outra foi interpretada pela Isis Valverde, adoro as duas atrizes e elas eram fortes e determinadas. O namorado da outra se apaixona pela outra irmã trocada sem saber, ele é interpretado pelo Marco Pigossi. Os pais são: Fernando (Marco Ricca) e Carlota (Giulia Gam) e Elísio (Daniel Dantas) e Beatriz (Heloísa Perissé). Em um momento das novelas elas ficam sabendo da troca, elas se odeiam. Mas o segredo da paternidade continua. A oprimida Beatriz teve um caso na adolescência e a filha pode ser filha do vizinho.
Como todas as novelas das 6, há muitos avanços comportamentais. Três homens tinham várias cenas na cozinha Tadeu (Fabrício Boliveira), advogado que estudava pra ser diplomata, Mário (Guilherme Fontes) corretor e Homero (Osvaldo Mil) esse o único que morava sozinho e era bandido. Sem alardes, sem texto de preconceito, a família chegava, ficava na sala e o marido de avental avisava que o prato preferido da família estava pronto. Tadeu, Rafael, e muitos outros volte e meia estavam arrumando a cozinha, lavando a louça. Dos romances da novela amei o de Tadeu e Inês (Deborah Secco). Tadeu era o meu personagem preferido. Pena que a atriz precisou sair antes porque vai estar em outra novela. Mas o autor não se apertou, criou uma trama tão linda pra ela. Um agente que vive nos Estados Unidos sugeriu a ela fazer vídeos de ginástica, como tinham na época. Lindo no último capítulo o Tadeu recebendo o enorme vídeo cassete e a fita pra assistir.
Outra dinâmica que ajudou muito foi as trocas de casas. O autor ultrapassou inúmeros limites com sacadas muito inteligentes nas trocas de personagens nas casas. Era um tal de Vitória para a casa dos pais biológicos e Sandra para a mansão. Mas as trocas iam além. Até normal o apartamento que moravam jovens ter sempre hóspedes novos. Inicialmente Tadeu e Ísis moravam lá, mas a tresloucada Susana com a excelente Alessandra Negrini em um de seus grandes papéis passou por lá. As cenas no banheiro eram geniais. A Susana inclusive foi uma das que mais peregrinou. Expulsa constantemente, morou no apartamento do Homero na casa da Cristina (Fabiula Nascimento) e inusitadamente no apartamento da Célia (Thaís de Campos) e de Artur (Gustavo Trestini).. Amei que a Susana ficou com o Fernando, eles eram muito parecidos. Ele colecionava amantes. Inusitadíssimo ele se envolver no final com a Cristina, muito inteligente o roteiro. Outra casa que mudou completamente a dinâmica com a separação da Cristina e do Mário. Acabaram se mudando pra lá a Susana e o Fernando, mas o Fernando como amante da Cristina e ex-amante da Susana, imaginem a confusão. Adorava o novo casal, Mário e Gilda (Letícia Spiller).
Essa troca gerava uma dinâmica deliciosa. A pobre da Augusta (Sandra Corveloni) precisa ir morar com o vizinho ranzinza Vicente (Francisco Cuoco). Bastava a trama começar a ficar repetitiva, alguma troca acontecia. Logo no começo se juntam a mansão a família do Ricardo (Bruno Garcia) em um excelente papel.
As festas eram lindas. Amei o casamento Rastafari de Danielle (Alice Wegmann) e Rodrigo (Brenno Leone). Ele foi escolhido em testes no Vídeo Show. Amava as imagens do Rio de Janeiro da época. A trilha sonora. E as inúmeras festas na Boogie Oggie sempre com confusão muito além do esperado.
Achei uma foto com algumas das crianças. Adorava a personagem da Claudia (Giovanna Rispoli), ela era uma pestinha. Com um pai exageradamente austero, ela fica rebelde e nos divertiu a trama toda. A atriz também cresceu muito durante a novela, ficou uma mocinha. E adorei ela ganhar uma viagem de volta ao mundo. Mas todos estavam ótimos Otávio (José Victor Pires), Felipe (Caio Manhente), Alessandra (Julia Dalavia) e Serginho (João Vithor Oliveira). Eles viviam no Fliperama, pena que não achei uma foto todos juntos.
O autor resolveu homenagear grandes atores. Além de Betty Faria e Francisco Cuoco em papéis importantes. trouxe atores consagrados para deliciosas participações. Francisco Cuoco chamava Madalena de Leninha, divertido perguntarem porque e ele dizer porque sim, na verdade porque eles fizeram par romântico em Pecado Capital e ela se chamava Leninha nessa novela. Para relembrar o embate de Tieta, surgiu Joanna Fonn na mansão como tia da Carlota. Uma personagem mandona que de hóspede passou a mandar na casa e nos empregados. O corvo era uma "Corva" como dizia Vitória interpretada por Pepita Rodrigues. Luiz Carlos Miele um informante. E Neusa Borges como uma cartomante.
Adorava os empregados. A medrosa Ivete (Aline Xavier) que sempre queria arrumar um namorado. A engraçada Leda (Marizabel Pacheco), o motorista Adriano (Eduardo Gaspar) e a cozinheira (Dja Marthins). Eles sofriam com os mandos e desmandos contraditórios dos patrões. Zezé Motta também interpretou uma empregada da Leonor (Rita Êlmor).
Inclusive as participações na Boogie Oggie eram geniais. Zezé Motta cantou lá, Betty Faria e Francisco Cuoco participaram de um concurso de dança. Adorei também a breve participação de uma golpista fingindo de grávida, Jussara (Thati Lopes) pena que ela foi embora. E os dançarinos Lyv Ziese, Renata Ricci e Luis Navarro na Boogie Oggie. Eles também participaram da dança da mudança de casa. Acabam parando na casa da Augusta. Inusitado e hilário, mas com lógica. A Augusta passa a ter dificuldades de pagar as contas e o filho convida os três para ajudar no orçamento.
O elenco todo foi incrível, Uma pena não conseguir colocar foto de todo mundo. Adorei a Luisa (Alexandra Ritcher), as mulheres tinham características fortes, inteligentes. E imperfeita, ela escondeu que os pais eram porteiros, outros atores que adoro: Cacá Amaral e Ana Rosa. Ela participou da dança das cadeiras, infernizava a Carlota, mas depois vai trabalhar na VIP para investigar o Beto (Rodrigo Simas) em ótimo personagem também. Eu torcia muito para ele ficar com a irmã que não é irmã, a Vitória, fiquei feliz que ficaram juntos, mesmo que tenha sido sutil a aproximação. Gostava do casal intepretado por Caco Ciocler e pela portuguesa Maria João. Estava com saudades dessa atriz. O arqui vilão era interpretado por José Loreto. Amei que a Carlota deu a volta em todo mundo e se deu bem. Tinha lido outra possibilidade, mas gostei muito mais desse final. Ela era muito ardilosa, ficaria perfeitinho demais ela se dar mal. Fizeram participações: Christiana Guinle, Junno Andrade, Laura Cardoso e Priscila Fantim.
Por ser uma novela cheia de aventura, as cenas de ação eram impecáveis. Lindíssima e triste a cena do acidente do noivo de Sandra. Muito bem feitas as cenas de atropelamento, as de tiro. Eu amei tudo nessa novela, figurinos, reconstituição de época, textos, personagens. Gostei de mostrar produtos da época, as latas de sorvete, crush, leite de rosas. Pode reprisar quanto quiser.