Assisti Filhos e Amantes (1960) de Jack Cardiff no Telecine Cult. Eu queria muito ver esse filme porque é o livro do David Herbert Lawrence que mais gosto. Não acho que filmes antigos consigam retratar melhor as obras desse autor ousado, acho que os filmes ficam mais contidos pela época. Esse filme traz vários diálogos importantes, tem ótima fotografia e elenco, mas eu imagino que um filme mais recente possa ir mais a fundo nos textos desse autor. Vi que há um mais recente, vou tentar assistir. A fotografia de Freddie Francis inclusive ganhou um Oscar.
Filhos e Amantes é sobre uma famiília de poucos recursos que vive em uma pequena cidade. O pai é mineiro, sem polimento. Há três filhos e uma mãe dominadora, afetivamente dominadora. O filho do meio, que quer ser pintor, é o que sofre mais influência dessa mãe sofrida. O filho é interpretado por Dean Stockwell, o pai por Trevor Howard e a mãe por Wendy Hiller. Outros do elenco são: Mary Ure, Heather Sears, William Lucas, entre outros.
Assisti ao recital De Vários Tempos de Cravo com Regina Schlochauer no Centro Cultural São Paulo. No programa obras que percorreram o tempo chegando aos dias de hoje e mais especificamente ao brasileiro Edmundo Villani-Côrtes que está sendo homenageado em recitais e concertos em todo o país pelos seus 80 anos. Ele estava na plateia. Das obras desse compositor foram convidados dois outros músicos, a soprano Heloisa Petri e o violonista Franciel Monteiro. Regina Schlochauer contou no recital que pediu autorização para o compositor para transpor uma obra sua para o cravo. Ainda de um compositor brasileiro, Regina Schlochauer interpretou Sonata (1975) de Osvaldo Lacerda.
Crédito da foto: Mariane Caramez
Repertório recital De Vários Tempos:
François Couperin - Passacaille ( da Oitava Ordre) - cravo
(1668 - 1733)
J.S.Bach - Fantasia e Fuga - BWV 904 - em la menor - cravo
(1685-1750) Tocata em mi menor - BWV 914
Domenico Scarlatti - Sonata em Ré maior - K 119 - cravo
(1685 - 1757)
Osvaldo Lacerda - Sonata ( 1975) - cravo
(1927) Allegro Giusto
Edmundo Villani-Côrtes - Tocandira - violão e cravo
(1930) Prelúdio - cravo
Modinha da Moça de Antes - voz e cravo
John Dowland - The frog's Galliard - violão
(1563 - 1626)
Antonio Scarlatti - Cantata " Io son pur solo" - voz e continuo (cravo e violão)
(1660 - 1725)
Foi um belo recital gratuito com 80% da casa cheia.
Terminei de ler O Sol Se Põe em São Paulo (2007) de Bernardo Carvalho. Queria muito ler uma obra desse autor e essa é simplesmente fascinante! Fiquei fã desse autor! Gostei do estilo entrecortado, com fragmentos, muitos silêncios e a dúvida se em algum momento eu soube realmente o que aconteceu. Comprei esse livro na Livraria João Alexandre Barbosa da USP. Eu não resisti quando passei na livraria e comecei a andar pelos corredores pra escolher um livro. Quando levei ao caixa alguns pra saber quanto custavam descobri que vários tinham descontos enormes. 30% na maioria e umas surpresas em outra maioria. Saí carregada e esse estava no meio. A livraria comentou que costuma fazer promoções sempre no início dos semestres, não consegui arrancar se são promoções sempre mágicas como essa. Esse é da Companhia das Letras.
Obra Esquina do Anhangabaú (1951) de Jorge Mori
Nosso protagonista é um escritor, na verdade ele nunca escreveu um livro, mas se diz escritor. Ele se interessa por uma senhora, dona de um restaurante japonês na Liberdade, ela resolve contar a sua história. Ela some, e ele segue suas pistas. Tudo é subjetivo, mágico, duvidoso e fascinante! O estilo de narrativa é todo entrecortado, nada é completo. Gostei demais das inúmeras interpretações que podemos ter em toda a narrativa.
Obra Cidade II (1984) de Claudio Tozzi
Trecho de O Sol Se Põe em São Paulo deBernardo Carvalho:
“Não vejo nenhuma metáfora no que eu digo.”
“Mesmo as obsessões mais compreensíveis na juventude ganham um aspecto degenerado quando se perpetuam até revelar o sintoma de algum tipo de fracasso na maturidade.”
Os dois pintores são paulistanos.
O Júlio Pimentel Pinto do Paisagens da Crítica escreveu uma resenha detalhada sobre esse livro nesse link, que vou ler detalhadamente agora.
Não localizei uma entrevista do Bernardo Carvalho sobre esse livro, então vou colocar uma para o Entrelinhas da TV Cultura sobre outro de seus livros.
Assisti Paixão Perdida (1999) de Walter Hugo Khouri no Canal Brasil. Eu adoro esse diretor! Gostei muito! É um filme muito subliminar, psicológico, com vários temas tabus. Um garoto está praticamente autista desde que ele sofreu acidente com sua mãe que faleceu. Começa com uma moça chegando na casa para trabalhar cuidando do menino, várias já tentaram, ou desistiram, ou não tiveram jeito. Essa moça é interpretada pela Mylla Christie, quem mostra o serviço é uma governanta prepotente, que se comporta praticamente como dona da casa. A governante é interpretada pela excelente Zezeh Barbosa.
A relação vai bem, o menino apresenta algumas melhoras até o pai ausente aparecer interpretado pelo Antônio Fagundes. Ele chega com a namorada interpretada pela Paula Bulamarqui e a outra filha chega um pouco depois. A relação que já era de posse entre o menino e a sua "enfermeira" se desestrutura. Há imagens do passado do menino com a mãe interpretada pela Maitê Proença. O ciúme e posse entre todos é forte, sufocante. Todos se incomodam com a relação entre uns e outros. Até mesmo a relação entre mãe e filho extrapola. .
Incrível como o diretor consegue em olhares e silêncios transparecer todos os sentimentos tumultuados e possessivos de todos. O menino é interpretado por Fausto Carmona. A irmã por Andrea Dietrich.
Assisti no cinema Quincas Berro D´Água (2010) de Sérgio Amado no Projeta Brasil, que o Cinemark promove em um dia, segunda-feira, com vários filmes brasileiros a R$ 2,00 na programação. Queria ver vários que tinham passado pelo cinema e não tinha conseguido ver, mas alguns que queria não estavam na programação. Escolhi esse que é baseado no livro do Jorge Amado. Eu achava que talvez não me identificasse muito, que poderia achar meio cansativo e me surpreendi. É incrível! Muito bem realizado, editado, ótimo elenco, fotografia, ótima adaptação do roteiro, sensacional! Quando terminou eu já fiquei com saudade e achei que acabou muito rápido de tanto que gostei!
Paulo José é Quincas que morre duas vezes. Ele saiu de casa, passou a viver com artistas, boêmios, bêbados e pobres. A filha envergonhada, inventa que o pai é um Comendador e vive fora do país. Quando ele morre, o marido que não quer perder a posição no trabalho e continua a farsa do grande Comendador. Adorei os atores que fizeram os amigos de Quincas, Flávio Bauraqui, Luis Miranda, Frank Menezes e Irandhir Santos. Marieta Severo está maravilhosa como a mulher que o Quincas foi apaixonado.
Mariana Ximenes também está ótima. Fizeram uma barriguinha divertida no Vladimir Brichta, bem sutil. Alguns ótimos atores ainda aparecem no elenco: Othon Bastos, Walderez de Barros, Germano Haiut e Milton Gonçalves. Construíram dois bonecos a semelhança do Paulo José para a realização de algumas cenas.