quarta-feira, 9 de março de 2022

Promising Young Woman

Assisti Promising Young Woman (2020) de Emerald Fennell no TelecinePlay. Claro que o título no Brasil já vem com spoiler, Bela Vingança. Esse filme estava em listas de filmes premiados, ganhou Oscar de Melhor Roteiro Original e vários outros prêmios. Apesar de relutar, acabei resolvendo ver. E  fiquei em choque! Que filme!

No começo eu tive um pré-conceito, achei que seria um filme com pegada adolescente. A jovem traumatizada que faz pequenas vinganças e um amor romântico que a salva. Mas o filme é de uma profundidade desconcertante. Há muitas camadas, discussões. Fala muito de "foi só uma brincadeira", "ela não devia ter bebido", "bebemos e nem vimos o que fazíamos", "nós éramos muito jovens", "todos faziam", "não foi nada demais". Enfim, que filme!
E com muitas surpresas. Uma eu já desconfiava, mas o filme vai muito mais além. Carey Mullingan está incrível, o filme é praticamente ela. O médico é interpretado por Bo Burnham. A amiga por Laverne Cox.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 7 de março de 2022

Um Lugar Bem Longe Daqui de Delia Owens

Terminei de ler Um Lugar Bem Longe Daqui (2018) de Delia Owens da Intrínseca. Eu participo semanalmente dos sorteios dessa editora. Nem acreditei quando ganhei! Só me toquei que escolhi um livro pensando que era outro quando o livro chegou. Eu adoro me surpreender e nesse caso foi por total engano. O nome original é lindo, Onde as Lagostas Cantam. Essa capa lindíssima tem tudo a ver, é exatamente a do livro original americano. Teve 2 milhões de exemplares vendidos nos EUA.

O marcador de livros eu ganhei e é francês com um tigre.


Obra Predadores (2012) de Mia Araújo

Virou o livro da minha vida! Virei do avesso inúmeras vezes. Fiquei muito impactada. É sobre uma jovem que vive sistematicamente o abandono. A mãe vai embora. Aos poucos um a um os irmãos também. Ela fica sozinha no brejo, com 6 anos. Seu pai vai e vem. Violento e alcóolatra, diz que ela, aos 6 anos, agora tem que cuidar da casa, limpar, cozinhar, comprar os alimentos. Ela mal sabe como se faz, não sabe ler, contar dinheiro. Apesar do pai ser violento, ela sempre fica angustiada quando ele parte, com medo que ele não volte mais como os outros. É só o que ela tem. O livro fala muito, mas muito de empatia, a dificuldade que temos em entender motivos complexos de pessoas na mais absoluta solidão. Melhor um pai violento, que nada.
Obra Lua no Brejo (2014) de Diane Parks

Mas o pai acaba partindo e ela tem que se virar. Não teria mais aqueles poucos trocados. Ela começa então a pegar mariscos e vender. Um garoto um pouco mais velho a ensina a ler, ela tem 11 anos. Ele vê o interesse dela em biologia e leva livros pra ela. Ela passa então a desenhar e catalogar tudo o que encontra no brejo. A autora é zoóloga e muito de natureza tem no livro, é fascinante. O rapaz vai para a faculdade, depois vê todo o trabalho da jovem, sugere que ela publique, a ajuda, e ela se torna uma especialista do brejo. Mesmo assim o preconceito de todos não muda. Julgavam ela mesmo sendo uma criança, mesmo tendo 6 anos. Não se compadeciam. Os apelidos pavorosos, apostas de quem tirará a virgindade. E ela fica uma linda mulher.

Obra Lua no Bayou (2015) de Diane Milsap

Trechos de Um Lugar Bem Longe Daqui (2018) de Delia Owens:

“Apática, perguntou-se o que tinha feito para mandar todas as pessoas embora. A própria mãe. As irmãs. A família inteira. Jodie. E agora Tate. Suas lembranças mais pungentes eram datas desconhecidas de parentes desaparecendo pela estradinha a fora.”

“Sempre encontrara força e coragem para se erguer da lama, para dar o passo seguinte, por mais bambo que fosse. Mas onde essa garra a tinha levado?”

“Precisar das pessoas acabava em sofrimento.”

“Quanto se está disposto a oferecer para vencer à solidão?”

“Quebrando a promessa que fez a si mesma de nunca mais esperar por ninguém, Kya ficou andando de um lado para outro pela margem da lagoa.”

“Apoiar-se nos outros deixa você desamparado.”

“Eu passei anos querendo estar com outras pessoas. Acreditava de verdade que alguém fosse ficar comigo, que eu teria amigos e uma família. Que faria parte de um grupo. Só que ninguém ficou. Nem você nem qualquer pessoa da minha família. Agora eu finalmente aprendi a lidar com isso e a me proteger".

Beijos,
Pedrita

sábado, 5 de março de 2022

O W da Questão

Assisti O W da Questão (2021) de Piotr Mularuk na Netflix. É baseado no livro de Katarzyna Gacek. É mais ou menos, mas distrai. É um filme policial leve, com alguma comédia, nem sempre de bom gosto.

Uma alegre dona de casa (Anna Smolovick) encontra uma mulher morta na mata. Depois ela vê uma foto da mulher com o colar da sua melhor amiga que sumiu e começa a investigar. Atrapalhado demais o policial (Pawel Domagala) amigo dela. Ela tem um casamento pavoroso. Seu marido ultra galã a mantém sob excessivo controle. Eles tem dois filhos, ele é insuportável com os filhos. E a proíbe de tudo. Ela é alegre e feliz, fala com todos, e ele quer proibir tudo, a deprecia.


Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 2 de março de 2022

A Casa

Assisti A Casa (2022) na Netflix. Eu amo animação em stop motion que são trabalhosíssimos, mas eu amo os resultados. Como há bonecos, remete muito a infância, a brincadeira, as bonecas, casa de bonecas. The House é uma animação sombria, com muito humor negro. São três histórias trágicas na mesma casa. A história é do sueco Johannes Nyholm e do irlandês Enda Walsh.
 

A primeira história foi dirigida pela belga Emma de Swaef e é de cortar o coração. Interessante que esse filme está em comédia e é tudo menos comédia. Sim, tem algum humor negro, mas é profundamente dramática. A família é feliz, vive em uma casa confortável e singela. Quando parentes menosprezam a vida simples, o pai passa a beber e aceita ir para a casa enorme que permeia o filme. A filha cuidando da irmã bebê é de cortar o coração.
A segunda, dirigida por Niki Lindroth von Bahr, é bem mais sombria, desconfortável mesmo. Não conseguimos ter empatia pelo protagonista. Ele quer deixar a casa impecável para vender, ganhar dinheiro e ressarcir o investimento. Os absurdos que acontecem com ele e com a casa beiram o insuportável.

A terceira é dirigida por Paloma Baeza e eu me identifiquei muito com a protagonista que é uma gata muito linda. A casa está no meio da água, sobrevivendo bravamente. A jovem quer conseguir hóspedes pagantes, ela tem dois que não tem como pagar, por isso ela em um projeto de deixar a casa linda, arrumar o encanamento que só trás água marrom, ter eletricidade e embelezar a casa. Assim ela vai atrair hóspedes que paguem e poder seguir com o negócio. Ela tem uma dificuldade enorme de entender que naquele contexto, não há o que ela faça que as coisas vão melhorar. Me emocionei demais com essa história.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 1 de março de 2022

Mães Paralelas

Assisti Mães Paralelas (2021) de Pedro Almodóvar na Netflix. Eu soube desse filme quando esse pôster virou um embate nas redes sociais. Pelas varreduras automáticas virtuais não é permitido mamilos. Esse pôster vivia sendo banido. E em defesa a esse grande diretor esse cartaz foi pipocando nas contas.

Eu adoro esse diretor, a Penelópe Cruz e amei o filme. Sempre complexos, a trama vai se desvendando e nos incomodando. 
Duas mães solos estão em trabalho de parto, a outra atriz, também ótima, é interpretada por Milena Smit. Elas prometem continuar em contato. A personagem da Penélope está prestes a fazer 40 anos e a outra é menor de idade. Ainda no elenco estão: Rossy de Palma, Aitana Sanchéz-Gijon, Alice Davies e Julieta Serrano.

Uma trama dá o início e o final do filme. A personagem da Penélope Cruz é fotógrafa e faz um trabalho para um arqueólogo (Israel Elejalde). Ela o contrata para fazer uma escavação em um fosso onde homens teriam sido mortos pelos fascistas. Muitos integrantes da família de um povoado estão lá e eles querem dar um enterro dign oa eles. As cenas finais são muito impactantes que terminam no belo texto de Eduardo Galeano: “Não existe história muda. Por mais que a queimem, por mais que a quebrem, por mais que mintam, a história humana se recusa a ficar calada".

Beijos,
Pedrita