Othon Bastos está majestoso. Tem vezes que é só a narração com a voz dele e textos do livro. Ambicioso, ele vai dando um jeito de chegar onde quer. A forma como ele compra a propriedade de nome São Bernardo é vergonhosa. É tanta manobra, revoltante. Ele vai prosperando e enriquecendo, sem escrúpulo algum. A fotografia maravilhosa é do Lauro Escorel. As locações são em Alagoas.
Ele decide que precisa casar e escolhe a bela Madalena, na pela de Isabel Ribeiro. Ele faz uma péssima escolha. Ela é professora, escreve artigos em jornais, ele vai se irritando com a personalidade e inteligência dela. Ele é implacável com os funcionários e ela solidária, amiga e próxima deles. O elenco é incrível, ainda estão Jofre Soares, Mário Lago, Nildo Parente, Rodolfo Arena e Vanda Lacerda. terça-feira, 30 de julho de 2024
São Bernardo
Assisti São Bernardo (1972) de Leon Hirszman no Brasiliana TV. Um amigo foi na peça do Othon Bastos que comentou sobre esse filme. Meu amigo disse que é um dos filmes mais lindos que já viu. Fui no Brasiliana TV descobrir essa preciosidade. Que filme maravilhoso! Está entre os melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Bom, é inspirado no livro homônimo de Graciliano Ramos que amei e comentei aqui. O filme foi restaurado pela Petrobras.
domingo, 28 de julho de 2024
Duas Irmãs
Assisti Duas Irmãs (2003) de Kim Je-woon no Star+ na Disney. Assim que assinei o Star+ junto com a Disney visualizei esse filme e quis ver. Agora o Star integra a Disney. Sábado é dia de fantasminhas. Eu tinha visto a versão americana desse filme, mas só vim saber depois que terminou. Esse pôster é incrível, o filme é inacreditável! Fala demais sobre violência doméstica. Há vários nomes desse filme, mas o original é o nome das duas irmãs Janghwa, Hongryeon. Quero rever o americano.
Duas irmãs chegam com o pai em uma casa. Lá está a madrasta, que mulher horrorosa, como pessoa, porque o elenco todo é muito lindo. As três mulheres são lindíssimas Lim Soo-jung, Yum Jung-ah e Moon Geun-young. A casa é linda, o lugar é lindo. Incrível cada detalhe, inclusive os figurinos.
Que homem horrível que é o pai, Kim kap-su. Ele percebe que há problemas na relação com a madrasta, mas deixa a responsabilidade familiar nas mãos dela. Que mulher horrível!O final é absurdamente surpreendente! Eu estava tão envolvida na trama que nem percebi. Eu achei que o final ficou em aberto. Sim, pode ser que a jovem criava personagens na cabeça, mas essa enfermeira era tão má, que eu não duvidaria que ela mudasse os remédios para que fossem alucinógenos e fizessem a jovem delirar pra se livrar dela. No final voltam ao passado, a menina é perfeita e a enfermeira ameaça, além de não tentar salvar a irmã e ver se a mãe estava mesmo morta. Eu desconfio demais da enfermeira. Até porque a menina acha fotos do passado e a enfermeira já estava na família e a mãe era medicada. Eu procurei muitos finais explicados, mas eles se confundem com o filme americano.
O filme aborda muitas questões de comportamento. O pai omisso, traidor, que coloca a amante dentro de casa. Que finge não ver os horrores que começam a acontecer. Que permite a internação da filha sem nenhum questionamento. A madrasta obstinada em ter o homem só pra ela. E a linda relação das irmãs, que me emocionaram inúmeras vezes. A jovem fala pra irmã várias vezes que dessa vez não vai deixar passar o que acontecia. Dá pra ver a culpa e sofrimento da irmã que não conseguiu salvar a outra. Quando na verdade era o pai que era responsável por elas. Filme profundo, mexeu muito comigo.Beijos,
Pedrita
sexta-feira, 26 de julho de 2024
Ervas Secas
Assisti Ervas Secas (2023) de Nuri Bilge Ceylan no TelecinePlay. O filme já começou arrastado e tinha mais de três horas de duração. Fiquei na dúvida se insistiria, mas vi que é muito elogiado. Continuo me perguntando qual o motivo.
Um professor dá aulas em um lugar ermo, exageradamente frio e retrógado. Eu tenho uma certa dificuldade em lidar com culturas muito diversas. Sim, o Brasil é machista, mas a estrutura turca sempre me incomoda demasiadamente. Tanto que há poucas mulheres no filme. O filme é masculino. Até tenta mostrar que não é atrasado, mas não convence. Esse professor é denunciado por assédio por alunas. Eu confesso que no começo já me incomodei. Ele abraça e anda abraçado com uma linda jovem, sua aluna adolescente. E a presenteia com um espelho. Achei um espelho um presente íntimo demais, imagine naquela cultura. E o presente foca na beleza da jovem. Ele como professor de uma comunidade tão atrasada, precisava estimular o conhecimento nelas, não as características femininas. Tinha que estimular a liberdade delas. Os professores não podem escolher onde lecionam e só pode pedir transferência depois de um tempo. É um país sem liberdade.
Ele conhece uma jovem que perdeu parte da perna por uma bomba. Ele e o amigo começam a disputá-la. Ele fica sozinho com ela e eles tem uma conversa muito esquisita. Ela acusa ele não fazer nada pra mudar o país, mas ele é professor. Quer algo mais revolucionário que lecionar? Mas o roteirista não acha isso. E o roteirista é capacitista também. Ela diz que a condição dela impede dela lutar, de ser ativista. Mas os dois podem escrever, livros, artigos. Nada impede dela com a palavra ser ativista. Um deles se envolve com ela e é horrível depois. Os dois amigos são horríveis com ela. Fora ela e as crianças, não há mulheres no filme. São invisíveis. Os diálogos são só entre homens, com a perspectiva deles. A única mulher que tem um pensamento mais aberto é equivocada, com texto escrito pro homens, não tinha como ser diferente. Não entendi porque aplaudiram o filme. As críticas elogiosas são de homens.Beijos,
Pedrita
terça-feira, 23 de julho de 2024
Longa Pétala de Mar de Isabel Allende
Terminei de ler Longe Pétala de Mar (2019) de Isabel Allende da Bertrand Brasil. Na última Festa do Livro da USP fui no balcão dessa editora. Foi difícil decidir qual livro dessa autora que amo eu ia levar com 50% de desconto.
Obra The Lee Shore de Edward Hopper que veio em um calendário.
Marcador de Livros de golfinho
Marcador de Livros de golfinho
Obra Guernica de Picasso
Podem ver que pelas ilustrações com a capa do livro, eu não estava preparada para um livro de guerra. A obra começa na Espanha, em meio a Guerra Civil Espanhola. A leitura arrastou bastante. Eu tinha escolhido uma obra mais leve a ler.
Obra Castilo de Coca (1964) de Lucio MuñozO protagonista é Victor Dalmau. Na guerra, muito jovem, salva um rapaz já morto fazendo movimento no coração. Um médico vê, o rapaz conta que largou o curso de medicina porque não conseguiu pagar e passa a acompanhar os médicos e aprender o ofício na prática. Com a situação insustentável na Espanha, pede a um amigo que leve a pé a mãe grávida de seu sobrinho e sua mãe para fora da Espanha. Foram milhares de refugiados caminhando com fome e frio pelo país até a fronteira. Depois colocados em campos de concentração em situação miserável.
Dalmau resolve então tirar a cunhada e o bebê da Europa e se inscreve para conseguir uma vaga no Winnipeg, navio de imigrantes que seguiria para o Chile. Isabel Allende ficou impressionada como eu com essa história. Pablo Neruda era diplomata, o que eu desconhecia. E resolve lotar um navio de imigrantes para o Chile. Os governantes e alguns chilenos não queriam, então ele não teve apoio, nem ajuda financeira. Conseguiu apoio de pessoas e comerciantes pra equipar o navio com cozinheiros e alimentos para a viagem. E selecionou quem poderia ir. Foram levadas mais de 2200 pessoas. Me emocionei demais! Desconhecia por completo essa história. O nome do livro é de um de seus poemas e as poesias de Neruda aparecem em todo o livro.
No Chile, Dalmau finaliza os seus estudos de medicina, com ajuda da esquerda do país. Além da amizade com Pablo Neruda, fica amigo de Salvador Allende. O livro chega então na ditadura, ele vai a um campo de concentração. A obra termina na velhice de Dalmau, após seus 80 anos. Eu acho fascinante como Allende costura as histórias, as tramas, a quantidade de texto. Acho incrível como alguém escreve tanto e tão bem. Entre meus autores preferidos.
segunda-feira, 22 de julho de 2024
P.A.R.I.D.O ato de expelir
Assisti a peça P.A.R.I.D.O ato de expelir do Grupo Trapo no Teatro de Arena Eugênio Kustner. Sábado é dia de fantasminhas e olhem que incrível, no teatro. O gênero infelizmente é pouco explorado no teatro. O grupo fez vários cartazes inspirados em filmes de terror, os vídeos também são geniais. A ótima direção é de Muriel Vitória.
Fotos de Tayane
Amei o espetáculo. É do estilo que gosto, utilizam o terror para falar de questões profundas. Uma jovem grávida sofre tormentos com monstrinhos, fantasminhas, enfim, espíritos irritantes. O espetáculo os chama de consciência, mas podem ser qualquer coisa. O bom desse gênero é que o pensamento pode definir o que quiser. O pai de sua criança é como muitos, irresponsável, egoísta e pra piorar, alcóolatra. Belíssimo figurino dela, uma linda camisola bordada. Eles estão sempre de branco, há muitas rendas. Os obsessores de preto. E que elenco bonito! Lis Santos (M.Ã.E), Márcio Lima (P.A.I), Fernando Tavares (C.O.N.S.C.I.Ê.N.C.I.A ), Isaque Patrício (CONSCIÊNCIA), Pedro Gonçalves (CONSCIÊNCIA), Vitória Rabelo (CONSCIÊNCIA) Well Nascimento (CONSCIÊNCIA) e Zé Carlos de Oliveira (CONSCIÊNCIA).
Estava muito ansiosa, mas medrosa. Na TV é só desligar quando dá muito medo e voltar depois. E o que fazer no teatro? Sair correndo? E como seria com as pessoas vendo as minhas expressões ou meus sustos? Medo, muito medo. E pior ainda, queriam que eu sentasse na primeira fila, nem morta!!!!
A maravilha do teatro é que cada um utiliza a forma que quer se expressar. Em P.A.R.I.D.O ato de expelir a escolha é pela expressão de corpo. É uma peça muito, mas muito sensorial, ficamos angustiados só com o que vemos e sentimos, sons, movimentos, como uma dança, ótimas coreografias. Excelente trabalho corporal. Gostei muito! O cenário também gostei muito, vários objetos que foram descartados, como uma TV de tubo só com chuviscos (medo), pra dar uma unidade usaram linhas pretas e tecidos brancos em cada um, fantástico. Gostei muito também que o cenário muda com os fantasminhas mudando tudo de lugar. Eles utilizam também alguns bancos da plateia que estão com lençóis brancos (medo). E sim, vários fantasminhas saem de dentro deles (medo).
O Grupo Trapo existe há 23 anos, incrível resistir por tanto tempo em um país economicamente tão instável.
P.A.R.I.D.O ato de expelir fica em cartaz até 11 de agosto.
Beijos,
Pedrita
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