terça-feira, 24 de maio de 2011

Sua Mata Sua Casa

Vi a exposição Sua Mata, Sua Casa no Shopping Metrô Tatuapé. A motra comemora os 25 anos da SOS Mata Atlântica. Essa exposição viajou e viajará por vários estados brasileiros. Eu e minha mãe gostamos bastante da mostra. Linda a árvore feita de embalagem de acholatado no tronco e garrafas pet nas folhas. Tudo é reciclável e diferente do que se acredita, é tudo lindo. Há um painel onde olhamos por furos e vemos fotografias vencedoras de um concurso de fotografias com animais. Há um computador enorme onde interagirmos pra sabermos como é a Mata Atlântica nos estados, clima, vegetação. Adoramos as cortinas de garrafas pet brancas recheadas de plásticos coloridos. Tudo tem a explicação de como foi feito, que material reciclável foi utilizado.

Nos painéis há sugestões de como economizar água, como fechar a torneira enquanto escovamos os dentes e outras ações econômicas. O Shopping Metrô Tatuapé é muito lotado, mas não tem placas de banheiros, que andar estamos, praça de alimentação, achamos um único segurança depois de horas pra pedir informações. O estacionamento precisava de lanterna pra enxergar de tão escuro e isso porque fomos de dia. As ruas do bairro sofrem do mesmo problema de ausência de placas. Por sorte todos são muito hospitaleiros e as pessoas ajudam a encontrar as saídas. A  exposição Sua Mata Sua Casa é gratuita e fica até  29 de maio. Mais informações e fotos no blog da SOS Mata Atlântica.

Beijos,
Pedrita

domingo, 22 de maio de 2011

A Ilha Sob O Mar

Terminei de ler A Ilha Sob o Mar (2009) de Isabel Allende da Bertrand Brasil. Eu adoro essa autora. Minha irmã ficou felicíssima quando ganhou de aniversário essa obra e adorou a leitura. Amei quando ela me emprestou. Essa capa de Ana Juan é lindíssima e vou sentir falta dela ilustrando o meu blog no que eu estou lendo. Amei essa obra. É profunda, informativa, intensa e apaixonante. Fala da época que alguns países tinham colônias em ilhas como a de Saint-Domingue que depois passou a ser o Haiti. Dá pra entender um pouco porque esse país tem tanta dificuldade financeira ainda hoje. Após as rebeliões dos negros, todos foram fugindo do país. Os países cortaram relações comerciais e ficaram a própria sorte. Os anos de conflitos entre negros e brancos, excessivas queimadas destruindo as plantações, a destruição de tudo, deve ter sido difícil reconstruir.

Obra Rara (1960) de Xavier Amiama

A Ilha Sob o Mar conta a história de Zarité, escrava de Saint Domingue, de possessão francesa, que é comprada por um francês para cuidar de sua esposa espanhola. A obra é dividida em partes, ou Zarité conta sua história ou a autora. Vamos assim vendo por dois pontos de vista. Fantástico! Dessa forma Isabel Allende conta um pouco a história dessa ilha e depois da Louisiana. Eu nem sabia que a Louisiana tinha sido também de possessão francesa.  A Ilha Sob o Mar reforça o quanto achavam que os negros eram animais, propriedade e objetos. É uma obra extensa, detalhada, que fala muito da cultura e tradições afro. Fico imaginando que tipo de estudo a Isabel Allende fez para contar em tantos detalhes essas histórias. A Ilha Sob o Mar entrou para a lista dos livros inesquecíveis e melhores livros que já li.


Obra Arca de Noé (1964) de Andre Normill

Enquanto eu lia eu pensava em algumas questões nossas atuais, algumas pessoas preocupadas em trocar por um carro melhor, se irritaram com os pais porque não tem um apartamento melhor. Querer usar a roupa daquela celebridade. E via a vida dessas pessoas escravizadas, que a luta era para viver, para ficar com a criança que criou como filho no lugar da liberdade. Ter que escolher entre amor, liberdade e cuidado com o filho que criou para que não morra. Pensei o quanto muitos de nós pensamos e valorizamos questões tão fúteis. É bom melhorar, lutar por algo melhor, conquistar, mas viver só com objetivos materiais fica tudo muito vazio. 

Obra As Mulheres no Mercado de Alberoi Bazile

Anotei alguns trechos de A Ilha Sob o Mar de Isabel Allende:

“Eu, Zarité Sedella, do alto dos meus quarenta anos, posso dizer que tive mais sorte do que as outras escravas.”

“...reduziu os castigos e contratou um veterinário que passou dois meses em Saint-Lazare tentando devolver um mínimo de saúde aos negros.”

“Parecia um homem de poucas luzes, com mentalidade de subalterno e sem ambição, porque era preciso carecer completamente dela para ter se casado com uma mulher de cor.”

“Não dava conselhos porque, segundo a sua experiência, era uma perda de tempo; cada um comete seus próprios erros e aprende com eles.”

Tanto os pintores como o compositor são do Haiti.



Beijos,
Pedrita

sábado, 21 de maio de 2011

Joana D´Arc

Assisti a estreia da peça Joana D´Arc da Cia. Teatro de Incêndio no Teatro Bibi Ferreira. Essa montagem se baseou em um texto alemão de Friedrich Von Schiller de 1801, traduzido especialmente para esse espetáculo por Mario Vitor Santos. A direção geral é de Marcelo Marcus Fonseca. Achei esse texto bem mais religioso. O texto é muito bonito, rebuscado, difícil e denso. Tenho menor identificação com o lado religioso desse espetáculo.Tenho dificuldade de acreditar que um Deus apoiaria um único lado de uma guerra e um único povo, mesmo que a França estivesse perdendo.

Fiquei impressionada com a força cênica da atriz que interpretou Joana D´Arc, a Liz Reis. Bela, delicada, ela cresce em cena, fica forte e poderosa, gostei demais do trabalho dela. Joana D´Arc é um espetáculo ousado com 20 atores em cena, inclusive o próprio diretor. Os outros do elenco são:: André Latorre, Wanderley Martins, Luis de Tolledo, Thiago Molfi, Urias Garcia, David Guimarães, Cláudio José, Sonia Molfi, João Sant’Ana, Caio Blanco, Giulia Lancellotti, Robson Monteiro, Marcus Fernandes, Talita Righini, Paulo Solar, Louis Caetano, Vander Lins e Eraldo Junior. Joana D´Arc fica em cartaz até dia 4 de agosto.



Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Persépolis

Assisti Persépolis (2007) de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud no Max. Eu queria ver essa animação desde que vi uma chamada nos canais HBO. Marjane Satrapi é uma iraniana que vive e viveu vários anos na França. Ela conta a sua história e os conflitos no Irã. Foca muito o início do fundamentalismo islâmico. Ela teve uma infância normal, era um país até atribulado, com algumas prisões, mas todos se vestiam como em qualquer outro país, usavam saias, joias, cabelos curtos. Com o fundamentalismo as mulheres tiveram que usar os véus que aumentavam de tamanho a cada ano. Eram paradas por policiais e reprimidas se corriam, já que seus quadris faziam movimentos indecentes. Os homens continuaram a se vestir com calças apertadas, mas passaram a poder massacrar e espancar as suas mulheres. O analfabetismo foi uma grande chave também para manipular e massacrar a população. Fica fácil dizer que algum Deus mandou isso ou aquilo se a pessoa nem sabe ler e nem sabe pensar para ver que é manipulação e não fé.

Marjane era uma menina de família de classe média, que tinha um tio que foi preso várias vezes e depois executado. A quantidade de pessoas executadas foi assustadora. Depois veio a guerra do Irã e Iraque e começou a faltar tudo. Marjane acaba criando problemas na escola porque ela questionava as absurdas leis, os pais acham melhor enviá-la para estudar na França. Ela iria ficar na casa de um parente, mas  quando ela chega na França, alegam não poder ficar com a menina e a depositam em outro lugar. É dolorido quando ela se sente estrangeira na França e estrangeira no novo Irã.

Os desenhos são simples e criativos, só são coloridos em algum momento. Realmente não dá pra contar essa história com cores, é uma história desprovida de cor. Muito triste o que um país faz com as pessoas e sua liberdade. E a violência que usa para fazer valer um fanatismo oportunista e cruel. Algo que dá muito realismo a animação é a rebeldia da protatonista. Ela não atenuou as características rebeldes seja na infãncia ou adolescência. As vozes são de vários atores famosos: Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni e Simon Abkarian. Persépolis ganhou vários prêmios: Bafta para os diretores por Melhor Primeiro Trabalho e Melhor Adaptação e Prêmio do Júri em Cannes.


Beijos,

Pedrita

terça-feira, 17 de maio de 2011

Objeto Gritante

Assisti Objeto Gritante da Cia. Maurício de Oliveira e Siameses e Duda Paiva no Teatro de Dança. Eu queria muito ver esse espetáculo. Essas imagens do cartaz são de bonecos de espuma de Duda Paiva, um artista brasileiro radicado na Holanda que ganhou vários prêmios internacionais. Paiva é um dos grandes  nomes do teatro de objetos europeu. Maurício aparece inicialmente com essas cabeças. A forma corporal como ele trabalha essas máscaras, a mobilidade delas é fascinante e agonizante. Está na apresentação com ele Ditto Leite. O cenário traz fios que são alterados durante a apresentação.

A relação com os animais é muito atual e surpreendente. A forma como a sociedade atual lida com os animais estão sutilmente mostradas no espetáculo. A genialidade de Maurício de Oliveira é impactante. Em um momento os dois dançarinos se transformam em dois idosos. A mudança corporal imediata nos momentos que são ora eles ora os idosos é incrível. As fotos são de Jônia Guimarães. Esse espetáculo fica em cartaz até o dia 29 de maio e os ingressos custam somente R$ 10,00, bem menos que um cinema.


Beijos,

Pedrita