Fui ao recital Consciência de Ser Eunice Katunda no Centro Cultural São Paulo. Se apresentaram a soprano Adélia Issa e a pianista Rosana Civile em um evento do Núcleo Hespérides - Música das Américas. No final teve uma palestra com o pesquisador Carlos Kater que escreveu o livro Eunice Katunda, musicista brasileira. Kater contou que Eunice Katunda (1915-1990) nasceu Eunice de Monte Lima. Pelo casamento passou a assinar Eunice Catunda e após a separação adotou o K no lugar do C. A história de sua mãe também é curiosa, primeira funcionária pública passou a pintar após ter 70 anos. A música de Eunice Katunda tem vários momentos. Quando estuda com Koellreuter e adere as suas teorias viaja em um grupo para a Europa e tem uma carreira muito representativa por lá. Eunice Katunda era uma grande pianista. Ela volta ao Brasil, rompe com a estética do compositor e resolve estudar as influências da música tradicional brasileira ligando-se ao nacionalismo. Na Bahia conhece o antropólogo Pierre Verger e tem contato com as religiões africanas. A última música do recital é dessa influência.
Muito lindas as obras e incríveis interpretações. Foi lindo o recital que era gratuito.
Assisti Cabeça a Prêmio (2009) de Marco Ricca no Arte 1. Eu gravei esse filme. Eu quis ver desde que estreou nos cinemas, acompanhei algumas matérias. Sou fã do Marco Ricca, inteligente, está sempre em filmes incríveis, suas entrevistas são sempre emblemáticas. E Cabeça a Prêmio é sua estreia na direção. Confirmando o que disse sobre ele, Marco Ricca escolhe um texto de Marçal Aquino para realizar o filme. Sou igualmente fã do Marçal Aquino, mas vergonhosamente nunca li um de seus livros, mas os filmes baseados em seus textos são maravilhosos, e não é diferente em Cabeça a Prêmio. A complexidade dos personagens e a diferença de suas características transformam Cabeça a Prêmio em um filme maravilhoso!
Eu sou fã também da Alice Braga e o personagem dela é igualmente incrível. Amo os filmes que ela atua, ela sempre está ligada a grupos que realizam grandes filmes. Fúlvio Stefanini interpreta o pai dela, um fazendeiro que tem um avião que faz contrabandos na fronteira. Ele nem imagina que sua filha tem um tórrido romance com o piloto dos contrabandos, interpretado por Daniel Hendler. O casamento desse fazendeiro vai mal, a mulher briga o tempo todo com ele, ela é interpretada por Ana Braga. Agora que vi que ela é mãe da Alice Braga.
Outro personagem incrível é do Eduardo Moscovis. Começa com ele matando um radialista interpretado pelo David Cardoso. Frio, calado, ele se envolve com a dona de um bar. Eletrizantes as cenas dos dois. Ela é interpretada igualmente brilhantemente por Via Negromonte. A trama é toda complexa, conturbada. Otávio Müller está incrível como o irmão do fazendeiro que quer assumir o comando dos negócios. Cássio Gabus Mendes faz o parceiro do Moscovis. César Troncoso o traficante que coloca os filhos no serviço e vivem do outro lado da fronteira. Outro que tenho visto filmes incríveis recentemente.
Posts do blog:
Filmes nesse blog com Alice Braga - link - não está o maravilhoso Cidade Baixa, entre meus filmes preferidos, junto com Via Láctea.
Projetos no blog com Eduardo Moscovis - link
Esse trailer é incrível porque parece que eu falei de outro filme. A apresentação do filme no Arte 1 parece igualmente de outro filme.
Fui ao recital do Centro de Música Brasileira no Centro Britânico Brasileiro. Inicialmente se apresentou o Aulustrio com os irmãos Brucoli (Fábio, Mário e Paulo). Eles são excelentes. Belíssima a obra de Osvaldo Lacerda que abriram o recital, Trio em Três Movimentos. Foi composta em 1969 e a angústia vivida nesse período fica muito clara. Fábio Brucoli falou da outra peça de Glauco Velázquez e do projeto que comentei aqui. Desse compositor interpretaram o Trio nº 2. Foto de Marcelo Donatelli
Depois Tânia Camargo Guarnieri ao violino e Araceli Chacon ao piano interpretaram um belo repertório começando por Villa-Lobos.
Programa do duo:
Heitor Villa-Lobos:
- O canto do cisne negro
- Bachianas nº 5
Osvaldo Lacerda: Três danças Brasileiras antigas:
- Chote
- Lundú
- Valsa
8 Variações sobre um tema
folclórico (1954 - revisão 1989)
Assisti O Jovem e Prodigioso T.S. Spivet (2013) de Jean-Pierre Jeunet no Telecine Cult. Que filme lindo! Nosso protagonista é um menino de 10 anos, um jovem cientista. Ele vive em um rancho. O pai adora ser cowboy, o irmão do cientista ama imitar o pai. A mãe adora pesquisar besouros. E a irmã adolescente quer ser atriz. Por uma triste fatalidade o irmão cowboy morre.
Nosso protagonista envia seus estudos para revistas científicas que as publicam. Envia os seus inventos para concorrer prêmios, até que ganha um e viaja escondido da família para Washington para recebê-lo. Uma graça o que coloca na mala que fica enorme. Esse diretor adora construir filmes mágicos inesquecíveis. O menino é interpretado brilhantemente por Kyle Catlett. Sua mãe por Helena Bonham-Carter. Seu pai por Callum Keith Rennie. Sua irmã por Niamh Wilson. E seu irmão por Jacob Davies.
Vários atores fazem participações. Como o incrível Dominique Pinon e Judy Davis. No Brasil simplificaram o título transformando em algo banal como Uma Viagem Extraordinária. O Jovem e Prodigioso T.S. Spivet ganhou César de Melhor Fotografia. Esse filme também está disponível no Telecine Play.
Assisti Marcas de Guerra (2013) de Szász János no Max. Eu gravei esse filme e ficou lá pra ver. É incrível! Mas dificílimo. É a história de dois irmãos gêmeos inseparáveis. Começa eles tranquilamente vivendo com a mãe quando recebem a visita do pai, um militar. A mãe leva os meninos então para viver com a mãe dela que a odeia e maltrata os meninos. O pai pede que eles escrevam tudo o que acontece com eles. A forma como eles narram a vida deles, o olhar tão diferente, o livro que fica animado, é muito inteligente. Marcas de Guerra é impressionante!
Eles são muito educados, mas sem conversas com adultos, ficando praticamente sozinhos, eles começam a ter raciocínios estranhos. Misturam o que sabiam com o que leem. Eles só tem a Bíblia pra ler e umas apostilas. O pai queria que eles continuassem estudando. E eles muito disciplinados continuam estudando. Incrível quando o padre fala da Bíblia e eles falam dos Dez Mandamentos e falam que há um que diz não matarás, mas todos matam. Um mandamento tão forte, mas que pela guerra, pela pátria, matam. A crueza do momento que eles estão vivendo é assustadora. Eles nos dão um choque de realidade.
O diretor é húngaro, Marcas de Guerra é uma co-produção entre Hungria, Alemanha, Áustria e França. Os meninos são interpretados pelos irmãos Gyémánt, László e András, eles estão incríveis. Maravilhosa também a atriz que faz a avó, Piroska Mólnar. O oficial alemão é interpretado por Ulrich Thomsen. A mãe por Gyongyvér Bognár. O pai por Ulrich Masther. Interpretam alguns do vilarejo: Orsolya Tóth, Péter Andorai e Diana Kiss.