Assisti ao documentário Mineira Solitária (2017) de Renata Baldi na GloboNews. A Liliane doPaulamarque comentou desse documentário comigo. Estava há um tempo pra ver. Genial! A Liliane gosta muito de cartas e imagino a satisfação que ela deve ter sentido com essa história.
Uma Mineira Solitária em São Paulo coloca um anúncio no Estadão em 1982. Muito interessante que o documentário vai falar com ela nos dias de hoje, gostaria muito de saber o sentimento que teve na época do anúncio que ela não consegue dizer. Interessante que ela parece ter vergonha do que fez e a imensa repercussão parece que aumentou esse desconforto. Foram quase 500 cartas. Psicóloga, ela transformou o tema todo em tese, como se isso diminuísse a vergonha do ato. O quanto as pessoas tem dificuldades de falar dos seus sentimentos.
A Mineira Solitária consegue falar da tese, mas ela oculta o que sentiu na época. Outro fator interessante é o quanto incomodou a enxurrada de cartas. Ela colocou embaixo da cama, mas que isso não resolvia o desconforto e que ela não sabia o que fazer com aquilo. Ela conta também que foi a alguns encontros marcados em geral no vão livre do MASP, na frente de um restaurante e que aceitou um convite para comer na casa de uma mulher que escreveu. Assustador como há gente que se sente só e o quanto todos parecem esconder esse sentimento. Ela também fala da cobrança para casar, ter filhos, uma outra entrevistada diz o mesmo. Há uma pressão social para não ser sozinho. Ela conta também que virou uma matéria no Estadão, o jornalista é entrevistado, e que a enxurrada de cartas voltaram a aparecer. Amei o documentário! Como é conduzido. Muito bom!
Assisti Jackie (2016) de Pablo Larraín na HBO Go. Eu tenho um certo receio de filmes com pessoas famosas, mas quando esse filme veio na tv a cabo fiquei curiosa pra ver. Amo a Natalie Portman. E a vontade aumentou quando vi uma matéria sobre filmes de mulheres fortes e lá estava Jackie. E que filme impressionante! Também só vi que o diretor é chileno e de grandes filmes que gostei na hora que selecionei o filme para ver.
E Natalie Portman está inacreditável de tão maravilhosa. E fiquei impactada também com a força da Jaqueline Kennedy. O filme começa com uma entrevista real de um jornalista da revista Life poucas semanas depois do assassinado de John Kennedy. O filme passa a mostrar momentos fora de ordem cronológica antes, durante e depois do assassinato. Jaqueline Kennedy segurou John Kennedy no colo, ele caiu em cima dela, ela no carro já percebeu pelo olhar que ele estava morto. Seus assessores quiseram que ela trocasse a roupa para sair do avião, ela disse que eles teriam que saber o que fizeram e vai com sua roupa rosa toda coberta de sangue, só na parte que aparece no rosto ela limpa mais ou menos.
Por machismo e por acharem que Jackie não estava em condições começam a querer decidir tudo por ela. É inacreditável a força dessa mulher. Ela quer que seu marido seja lembrado, pede informações do funeral de Abraham Lincoln, quer um cortejo igual, quarteirões de caminhadas com figuras importantes do mundo todo. Todos tentam convencê-la que o momento politico é outro, que é arriscado, mas ela não desiste.
Quem mais apoia Jackie é seu cunhado, Bobby Kennedy interpretado brilhantemente por Peter Sarsgaard. A solidão da Jaqueline Kennedy é doída. Ela tinha assessores, pessoas que cuidavam de tudo a sua volta como sua governanta interpretada brilhantemente por Greta Gerwig, o apoio do cunhado, mas tudo isso ia se esfacelar no futuro. Seriam relações do passado. Os filhos continuariam Kennedy, mas eles iam seguir outros caminhos.
John Hurt faz o padre que a aconselha. Interessante que a conversa não é amigável. Ela questiona várias vezes o padre. Belos diálogos.
O jornalista é interpretado por Billy Curdrup. Casper Phillipson interpreta John Kennedy. Alguns outros do elenco são: Richard Grant, John Carroll Lynch, Max Casella e Beth Grant.
Jaqueline Kennedy era grande defensora das artes, cultura, música.
Terminei de ler O Livro das Provas (1989) de John Banville da Record Editora. Eu estava olhando qual livro seria o seguinte e olhava essa capa pavorosa e queria ler. Me perdoe quem fez a capa, mas eu detestei, mas é uma prova que nem sempre uma capa feia afasta o leitor, porque eu voltava sempre.
Obra A Distant View of St-Omer (1824) de Richard Parkes Bonington
No início descobrimos que o narrador está preso. Ele nos conta que não era daquele ambiente, que não tinha motivo para ir para um lugar daqueles, que foi um desvio no caminho. Ele tenta então nos convencer que só no futuro cometeu um desatino, mas contando a história dele, percebemos que ele sempre teve desvios de conduta e que estranhamente ele não achava que era incorreto.
Obra de Colin Middleton
A trama é toda entrecortada, esse autor é genial. Os desatinos começam após a morte do seu pai. O narrador fica furioso que as telas que herdaria foram vendidas. Ele nem se atenta o motivo. Ele brigou com a família, sumiu no mundo e vivia do dinheiro que a família enviava periodicamente, não fazia mais nada. E a mãe conta que quando o dinheiro foi acabando passaram a vender os quadros. Ele nem percebe que o motivo é ele mesmo. Não queria saber da família, mas do dinheiro fazia questão e não procurava ter outra fonte de renda. Vivia de mesada. São muitas nuances, ele tem comportamentos estranhíssimos. Uma obra e tanto!
Assisti Moonrise Kingdom (2012) de Wes Anderson no Telecine Cult. Eu amo esse diretor e sempre que falava dos seus filmes aqui no blog o Hugo do Cinema - Filmes e Seriadoscomentava desse. Finalmente vi Hugo e é realmente genial.
Logo no início já me surpreendi com a câmera andando pela casa e a vida nos cômodos, mas fiquei boquiaberta quando vieram os nomes do elenco, impressionante: Frances McDormand, Bill Murray, Edward Norton, Bruce Willis, Tilda Swinton e Jason Schwartzman.
Dois garotos fogem. Ele foge do acampamento de escoteiro, ela da casa dela. Ele é órfão, foi adotado mas pelo jeito não está se adaptando. Ela vive em pé de guerra com os pais. Os dois são fofos demais: Kara Hayward e Jared Gilman.
Moonrise Kingdom é ótimo, me diverti muito. Politicamente incorreto, engraçado, inteligente. Adoro os cortes de câmera, os ângulos inusitados, e que lugar lindo. Amei!
Assisti a novela Apocalipse (2018) da TV Record. Eu tenho o hábito de ver novelas que estão começando. Algumas vezes só vejo um capítulo, outras uma semana. Gosto de saber quem são os atores, qual a concepção. Não gosto das novelas religiosas em geral, mas estava curiosa sobre Apocalipse. Esse cartaz, que foi o de divulgação da novela, é da fase final quando Sérgio Marone interpreta o Anticristo e seus opositores são interpretados por Juliana Knust e Igor Rickli.
Logo no primeiro capítulo eu não queria perder mais nada. Não deixei de ver um único capítulo. Claro, isso só foi possível porque conseguia gravar quando ia perder algo. Infelizmente a novela não foi bem de ibope e eu tenho uma teoria. Eu acho que Apocalipse tinha textos muito complexos, elenco extenso para o público habituado a novelas bíblicas. Eu sempre dou uma olhada nas novelas bíblicas que passam e os textos são bem simples, com vocabulário fácil, muito explicadinha, maniqueístas, o que não aconteceu com Apocalipse que tinham textos densos, ótimo vocabulário e não claros em relação aos comportamentos, todos tinham vários lados. Os personagens eram complexos, cheios de camadas. Só mesmo o Anticristo era mal, o resto tinham atitudes conflitantes. Debora sofreu demais na primeira fase . Sonhava com uma vida diferente da sua religião, era de uma família de judeus ortodoxos, mas o diferente era estudar, viver no Ocidente, ser livre. E como Manuela do Monte estava maravilhosa. E que lindo o ator que fizeram pra contracenar com ela, Felipe Cunha. Na segunda fase Debora era claramente má, amargurada uma grande personagem para a excelente Bia Seidl. Adriano então foi uma surpresa, mulherengo, irresponsável, passa a ajudar os bons mesmo pondo em risco a sua vida. Ótimo personagem também para Eduardo Lago. O público ficou procurando Adriano no céu no final e reclamaram que não acharam, muito justo.
Na primeira fase eu comecei a ter dificuldade de entender a trama, muitos personagens. E uma pessoa no twitter me informou que porque a novela ia mal do ibope e que por isso começaram a correr e a picotar a trama, uma pena. Por isso estava tão confusa. Eu tinha que vir ao computador para ver que personagem era e que ator seria ele na fase seguinte.
Gostava muito das tramas de tecnologia, muito bem feitas. As explicações tenológicas também eram ótimas. E adorei a androide interpretada por Giselle Batista, só perto do final é que descobri que ela interpretou as duas androides, achei que uma tinha sido a irmã gêmea dela.
Gostei que na trama tinham também judeus ortodoxos, mas depois soube que tinham na bíblia também. Mas independente disso os textos eram muito bons, colocaram as tradições. Me aborreci quando na abdução muitos bons ficaram só porque não eram cristãos, como se deus diferenciasse as pessoas pelo livro sagrado que leriam e não por seus atos. Judeus bons não seriam abduzidos porque eram judeus, inclusive uma pesquisadora que estava quase descobrindo a cura do câncer não foi abduzida interpretada por Mônica Torres. Muitas mulheres da trama eram fortes e bem sucedidas. Nessa equipe de pesquisa ainda estavam duas outras cientistas interpretadas por Carla Marins e Thaís Pacholek. Lizandra Souto interpretou uma grande médica diretora do hospital.
Uma das minhas personagens preferidas era Bárbara, interpretada por Li Borges. Ela era uma âncora de televisão, tinham várias cenas no telejornal, muito bem feitas também. E por ter focado na carreira adiou a maternidade e tentava de modo independente ter um filho. Seu pai era um grande arqueólogo que vai trabalhar em Jerusalém, ele foi interpretado por Edson Montenegro. A própria Zoeera uma mulher forte, uma importante repórter da TV e depois lutou para proteger seu filho.
Outra atriz que adoro e estava no elenco é Samara Felippo, uma policial destemida que tem um romance com um colega de trabalho casado interpretado pelo ótimo Fernando Pavão. Gosto muito dos atores que estavam nesse núcleo: Roberto Birindelli, Augusto Zachi e Igor Cosso. O serial killer foi interpretado por Jaime Periard.
Dois personagens eram cientistas da Nasa interpretados pelos ótimos Emilio Orcciolo Neto e Marcello Valle. Como tiveram fases, e com a abdução muitos personagens sumiram, o elenco era enorme e famoso: Nina de Pádua, Jussara Freire, Selma Egrei, Flávio Galvão, Castrinho, Sidney Sampaio, Leona Cavalli, Beth Zalcman, Henri Pagnocelli, Claudio Gabriel, Jonatas Faro, Lu Grimaldi, Raphael Sander, Murilo Grossi, Luiza Tomé, Marcos Winter, Adriana Prado, ZéCarlos Machado, Pérola Faria, Paloma Bernardi, Sandro Rocha, Thaissa Carvalho, Jandir Ferrari, Junno Andrade, Flávia Monteiro, Juliana Silveira, Lucinha Lins, Marcelo Argenta, Bruno Daltro, Adriana Londoño, Rafael Sardão, Norival Rizzo, Joana Fomm, Carolina Oliveira, Miguel Roncato, Adriano Garib, Renato Livera, Maitê Pirajibe, Cacau Melo, Brendha Haddad e Juliana Xavier. Gostei demais de alguns atores que não conhecia: Thuany Parente, Andrey Lopes, Fran Elmor e o angolano gato Fredy Costa.
Já estou em crise de abstinência dessa novela e de seus personagens. Fiquei inconformada que não mudaram o final e não fizeram uma continuação.