Os três rapazes não são heróis, muito pelo contrário. O filme é muito americano. Os três cresceram em uma cidade pequena, conservadora, estudaram em colégios religiosos extremamente preconceituosos e sofreram muito preconceito, suas mães inclusive. Os dois brancos eram criados sozinhos pelas suas mães, o preconceito na escola e os rótulos que colocavam por serem criados sem o "correto", famílias com patriarcas, é assustador. Uma professora inclusive quer indicar remédios para os meninos, isso mesmo, ela não indica médicos para ajudar os meninos a lidar com suas questões, ela quer medicar diretamente e os rotulam. A escola inclusive diz que um deles tem que viver com o pai o que acaba acontecendo. O machismo é assustador. Se pensarmos que no Brasil a maioria das mulheres criam seus filhos sozinhas porque os pais, na grande maioria, dão no pé e vão fazer filhos com outras e sumir de novo também. E aqui também andam rotulando mulheres que criam seus filhos sozinhos, o que acontece assustadoramente pelo machismo. O obscurantismo religioso é igualmente assustador. A escola pressiona que as crianças não são criadas nos preceitos cristãos. O mesmo obscurantismo que vem se espalhando que nem uma praga no Brasil.
Uma graça os três meninos que interpretam os protagonistas: Bryce Gheisar, Paul-Mikéi Williams e William Jennings. A infância deles é americana demais, chega a incomodar. Eles amam brincar de armas. Aposto que a escola não ia achar estranho que eles amassem brincar de armas. O negro passa pelos preconceitos da raça. Um colega joga propositalmente a bola na cabeça do garoto que xinga, mas é o que xinga que tem que ir a diretoria receber reprimenda, não o que joga a bola na cabeça de propósito, ou o mais correto, os dois. Todos os detalhes que mostram, a violência na infância e o culto às armas estão ali, mostrando porque ficamos tão chocados com adolescentes e crianças que atiram em coleguinhas na escola como acontece infelizmente, muito mais do que deveria, nos Estados Unidos.
As mães são interpretadas por Judy Greer e Jenna Fisher. No final fica meio esquisito elas jovens ainda como eram quando tinham os filhos pequenos, por sorte passam mais rapidamente.
Beijos,
Pedrita






















