quinta-feira, 23 de março de 2017

Festival Osvaldo Lacerda

Assisti ao Festival Osvaldo Lacerda do Centro de Música Brasileira no Centro Britânico Brasileiro. O compositor Osvaldo Lacerda (1927-2011) faria exatamente hoje 90 anos. Vários e grandes músicos interpretaram suas obras. Foi um concerto gratuito maravilhoso!


Primeiro se apresentaram o barítono Sandro Bodilon e a pianista Rosely Freire. Adoro esses músicos! Eles interpretaram canções, várias com grandes poemas de Castro Alves, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Gonçalves Dias e Alphonsus Guimarães. Como característica do compositor, as obras misturam vários ritmos, muitos brasileiros.

Canções: 

Minha Maria (Castro Alves) - 1949
O Menino Doente (Manoel Bandeira) -  1949
Cantiga I (Manoel Bandeira) - 1950
Poemeto Erótico (Manoel Bandeira) - 1951
Noturno (Vicente De Carvalho) – 1951
Ausência (Renato Lacerda) - 1954
Poema Tirado de Uma Notícia de Jornal (Manoel Bandeira) - 1964
Uma Nota, Uma Só Mão (Carlos Drummond de Andrade) -  1967
Outra Voz, Outra Paisagem (Paulo Bonfim) - 1979
Receita para o Amor (Marina Tricânico) -1982
Seresta Antiga (Anônimo) - 1989      
Canção do Exílio (Antônio Gonçalves Dias) - 1991
Ismália (Alphonsus De Guimarães) – 2010
Desafio (Folclore) – 1953

Depois apresentou-se um clarinetista que gosto muito, Cristiano Alves. Ele é do Rio de Janeiro, então foram poucas oportunidades que tive de ouvi-lo. Cristiano Alves disse que conheceu Osvaldo Lacerda e que tinha ficado impressionado com a quantidade e qualidade das composições para clarinete. Osvaldo Lacerda costuma ser muito elogiado pelos instrumentas porque fez obras para vários instrumentos e todas as obras são viáveis de serem interpretadas, tal o estudo anterior que fazia de cada instrumento. A segunda parte do concerto mostrou exatamente essa habilidade, porque Cristiano Alves convidou grandes músicos para tocarem com ele. Com duo de clarinete e trompa tocou Luiz Garcia. No duo de viola e clarinete, Gabriel Marin. No duo de clarinete e fagote, Fábio Cury, e por último, um duo mais tradicional, clarinete e piano, Ricardo Ballestero. Achei CDs de Cristiano Alves no Spotify.

Obras:

Quatro Melodias, para clarinete solo 

Invenção, para clarinete e trompa 

Chôro-Seresteiro e Fuga, para clarinete e viola 

Improviso, para clarinete solo 
Duo para clarinete e fagote 
Valsa-Chôro, para clarinete e piano 
Três Momentos Musicais, para clarinete e piano


Foi um concerto maravilhoso, fiquei encantada. E de graça.

Vou colocar vídeos de outras apresentações. O primeiro com outro compositor. O segundo, outro músico toca com Cristiano Alves.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 21 de março de 2017

Madame Bovary

Assisti Madame Bovary (2014) de Sophie Barthes no TelecinePlay. Eu li o livro há anos. Era daquela coleção vermelha da Editora Abril. Gostei muito. Eu vi uma adaptação do Chabrol que amei e comentei aqui. Gostei bastante dessa versão também, é com a maravilhosa Mia Wasikowska, como gosto dessa atriz.

Essa história sempre me incomoda muito. Nossa protagonista casa com um médico de uma cidade muito pequena. Logo cedo ele sai e só volta tarde da noite. Aos domingos eles passavam juntos. 

Bovary parecia uma mulher que vivia em um vestido apertado. Tinha uma vida que nunca sonhou. Talvez se ela tivesse vivido em uma cidade com mais atividades, tivesse amigas, um pouco de vida social, não se perderia em tantas loucuras. Mas também talvez não conseguisse participar de concertos, peças, já que na época só pessoas de posse o faziam porque precisavam roupas novas a cada evento, detalhes da moda para não parecer provincianas. As atividades culturais não eram para pobres.

Bovary acaba sendo alvo de pessoas inescrupulosas que fazem tudo para ela cometer desatinos. Gastos que nunca poderia pagar, romances fortuitos com homens oportunistas. É muito angustiante o desespero dela quando os erros começam a aparecer e com eles as reprimendas.

Belíssima a adaptação, lindos cenários, figurinos, detalhes. Começa com a protagonista no convento, lindas as cenas das moças aprendendo todas as prendas necessárias a moças casadoiras. 

O marido é interpretado por Henry Llody-Hughes. Seu amigo químico por Paul Giamatti. Outros do elenco são: Erza Miller, Rhys Ifans, Laura Carmichael e Logan Marshall-Green.

Beijos,
Pedrita

sábado, 18 de março de 2017

Sexo, Etc e Tal - Falando de Sexo com Humor

Assisti a peça Sexo, Etc e Tal - Falando de Sexo com Humor no Teatro Raposo - Sala Irene Ravache. A direção é de Gabriel Veiga Catellani. Adorei! Muito divertida a peça. Três atores falando de sexo sem pudores com o público. Os três estão ótimos. O projeto é do André Rangel que monta esse espetáculo há vários anos. Volte e meia ele redefine o grupo que contracena com ele. Dessa vez foi com dois outros atores muito, mas muito lindos: Márcio Marinello e Dan de Almeida. Tinha bastante gente na plateia. Tudo muito divertido. Quando entramos na plateia tinham três manequins prateados. Muito bacana a montagem. A peça fica em cartaz até 26 de maio.

Vou colocar um vídeo de outra montagem dessa peça com o André Rangel e outros atores.

Gostei demais do Teatro Raposo. Atualmente há uma determinação que todos os shoppings tenham um teatro. Esse foi inaugurado há mais ou menos um ano e nunca tinha ido. 

A Sala Irene Ravache é muito bem distribuída e confortável, qualquer lugar é confortável. São 252 lugares. O teatro não é muito profundo, mas mesmo nas poltronas laterais se vê muito bem. Muito bonita as cores da sala, em tons bege e alaranjados. Amei que há vários quadros com a Irene Ravache e de peças que ela atuou.
Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 16 de março de 2017

Zelly e Eu

Assisti Zelly e Eu (1988) de Tina Rathborne no Max. Eu vi que é com a Isabela Rossellini que adoro, então coloquei pra gravar. É um triste filme sobre uma menina que perdeu os pais e teve que morar com a avó má. Zelly é a babá. A avó, na roupagem de querer educar, abusa de todos os recursos sórdidos para mostrar poder, força contra a pobre da menina.

A avó manipula, distorce, só para subjugar a menina aos seus caprichos e abusos. Por sorte a menina tem a babá, mas a avó não gosta de que qualquer pessoa dê amor a menina, quer o mal da menina fingindo ser para educá-la. Perversa, vai aos poucos afastando todos a volta da menina para conseguir manipulá-la e maltratá-la. A menina é interpretada pela Alexandra Johnes.

A avó por Glynis Johns. Alguns outros do elenco por: Joe Morton, David Lynch e Kaiulani Lee.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 14 de março de 2017

Solar de Ian McEwan

Terminei de ler Solar (2010) de Ian McEwan da Companhia das Letras. Faz tempo que comprei esse livro em uma dessas promoções de 50% em datas específicas. A edição é exatamente dessa capa lindíssima. Além da beleza da imagem, a capa é texturizada. Nosso protagonista é um físico ganhador de Prêmio Nobel.

Obra de Leonora Carrington

Nosso protagonista é um ser desprezível. Quando jovem ele descobriu um grande feito baseado na teoria de Einstein, ganhou o Nobel e tornou-se um profissional burocrático e pouco ético. Passou a receber um salário para estar na lista de professores de uma universidade, para atrair alunos com a ideia que haveria um belo corpo de profissionais, mas ele nunca lecionou lá. Dava palestras, sempre com pouca preparação e muita, mas muita má vontade. O protagonista fala muito com o leitor sobre a hipocrisia do aquecimento solar. Que as pessoas reduzem um ou outro item, compram carro popular, mas não querem ir muito longe das restrições, de perder o conforto. Ele mesmo está incluído nesse círculo.

Obra Tempo e Maré (2004) de Simon Patterson

Solar começa com nosso protagonista em crise no seu casamento. Os dois estão separados, mas moram ainda na bela casa. Sua esposa está em um relacionamento com profissional hidráulico que fez a reforma em sua casa. Seu ex não entende como ela foi se apaixonar por um homem tão rude. Os dois encontram com quem se relacionam na própria casa. Ele fica sempre muito incomodado. Aos poucos ficamos sabendo que sua esposa traiu uma vez só, mas o marido inúmeras vezes, sete no mínimo. 

Obra Mexilhões (2012) de Ansel Krut

Por que um urso polar na capa do livro? Nosso protagonista aceita então uma viagem com outros profissionais para analisarem o aquecimento global. Sim, o livro fala bastante do aquecimento da terra, do degelo. Todos acham incrível, mas ele só aceitou porque ficará em um navio com muito conforto, a viagem será curtíssima, com pouquíssimos passeios em campo.  Ele finge para a classe científica que será uma grande viagem, muito importante, esconde a falsidade do evento.  Na viagem, eles saem em carrinhos de andar no gelo, param pra olhar, quando ligam os motores o dele não liga, os outros seguem, ele fica, e o urso polar dá um tabefe nele. 

Obra Metamorfoses (1966) de Bryan Organ

Nosso protagonista é desprezível demais e só piora. Ele faz algo medonho, comete um crime, mas consegue colocar a culpa em outro. Ian McEwan é sempre irônico. Na parte seguinte do livro, o físico é cruelmente perseguido baseado em uma armação e até ficamos com pena dele. O físico se prejudica por algo que não fez, mas consegue escapar de responder por algo muito mais grave que fez. Essa ironia constante do autor é que é sempre tão fascinante.



Beijos,
Pedrita