Vi a exposição Ex-África no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Eu queria muito ir nessa mostra desde a inauguração, só consegui agora e gostei muito. A curadoria é do alemão Alfons Hug que traz expressões artísticas da África Moderna. São 90 obras de fotos, instalações, pinturas e vídeos, de 20 artistas, 18 de países africanos, como Gana, Senegal e Zimbábue, e dois brasileiros. As imagens desse cartaz são do senegalês Omar Victor Diop que retrata 9 africanos notáveis fora de seu continente. Um deles é inspirado em Jean-Baptiste Belley, senegalês, que foi escravizado e levado para as Antilhas Francesas. Em 1793, durante a Revolução Francesa, foi eleito deputado e membro do Clube Jacobino. Tornou-se o primeiro deputado francês negro, representando a colônia francesa de Saint-Domingue.
Já essas imagens ao lado vem do Zimbábue, por Kudzanai Chiurai que mistura referências e personagens do colonizador ao colonizado na série Gênesis.
O nigeriano J. D. 'Okhai Ojeikere mostra em fotografias cortes de cabelos. A mostra Ex-África é gratuita e fica em cartaz até 16 de julho.
Assisti Westworld - 2ª Temporada (2018) de J. J. Abrams, Jonathan Nolam na HBO. Como ansiei por essa continuação que está mais sombria que nunca, só pelo pôster já é possível perceber. Muito interessante que a série levou dois anos pra ser retomada, foi uma difícil espera e já estou sentindo muita falta de tanto questionamento. O post da primeira temporada está aqui.
A primeira terminou de modo dramático. Os anfitriões mataram os visitantes e seus criadores. A matança continua na segunda. Há muitas perguntas que continuam, inúmeras que surgem e a falta de respostas é o melhor em Westworld. Muito triste a trama da Dolores. Descobrimos que ela é uma das mais antigas do parque, que ia no mundo externo em reuniões para atraírem investidores, então ela tem uma consciência maior do parque e do mundo exterior. Seu amado só viveu no seu script. Quando morria era reprogramado para o mesmo personagem, portanto ele tem dificuldade de acompanhar os raciocínios de Dolores. É muito triste a decepção dela e mais triste ainda o desfecho desse amor. Evan Rachel Wood e James Marsden estão incríveis.
Maeve não quer acompanhar Dolores na busca pela saída do parque. Ela quer ir buscar sua filha. Dolores quer seguir para o portão que leva eles embora do parque. Muito tristes as tramas de Maeve. Ela leva com eles os programadores. E descobre outras narrativas mas que se assemelhavam a sua triste história e de sua filha. Amo Thandie Newton e Rodrigo Santoro aparece bem mais nessa temporada.
Triste demais a história do índio. Há um episódio só com a história dele. Como Maeve, ele tinha uma bela história em uma tribo onde vivia em paz. Como os donos do parque quiseram mais aventuras, ele vira um perverso. Esse índio e Maeve começam a ter consciência e comunicação com os anfitriões sem precisar encontrá-los. Passam a dar comandos pelo cérebro. Zahn MacClarnon está impressionante também.
Mais maluco ainda o homem de preto que cria muitos problemas para todos, anfitriões e visitantes, com raciocínios confusos e muita maldade. Ed Harris continua arrasando. A trama da sua história, sua esposa e sua filha é muito dolorida. Também incomoda demais o homem cobaia em cativeiro. Descobrimos que o parque não foi criado para divertir visitantes e sim para escanear os visitantes para recriá-los e promover a vida eterna da humanidade.
A trama mais confusa e não menos intrigante é a de Bernard. Há inúmeras idas e vindas no tempo, mas nada claro, nós que vamos tentando unir a ordem cronológica. Ford morreu, mas como ele previa que morreria, criou comandos nos anfitriões para continuar coordenando-os depois de morto, ou não, ou os anfitriões achariam que era Ford, mas seriam suas memórias e consciências. Anthony Hopkins tem então vários diálogos com os personagens. Logo no início descobrimos uma reviravolta, não foi Bernard que criou Dolores, mas sim Dolores que criou Bernard a semelhança de Arnold, um dos fundadores do parque com Ford que na primeira temporada ficamos sabendo que se matou porque não gostou dos rumos do parque e do que tinha criado. Dolores conheceu muito Arnold e preparou Bernard a sua semelhança. Vários Bernards foram descartados e aparecem nessa temporada. Jeffrey Wright está incrível.
Dolores e Bernard travam grandes embates filosóficos por divergências de consciência. Dolores acha que o portal é mais uma enganação dos criadores do parque. Os corpos morrem e só suas mentes seguem para viver em paz no portal e lá ficam presas. Dolores não acredita que isso seja algo bom e sim mais uma mentira do parque. E que essa solução não é o livre arbítrio.
O desfecho é muito interessante e a abertura para a nova temporada simplesmente genial. Ford diz que só um único anfitrião conseguiria viver no mundo lá fora. E é a Dolores, em uma nova forma que consegue. Com os comandos que recebeu ela localiza a casa que Ford preparou para eles, consegue levar as bolas de consciências de outros anfitriões e recria Bernard e Dolores, ficando duas Dolores, ou não. Dolores diz que agora sim há livre arbítrio. Que eles podem escolher como querem viver. Simplesmente genial! A nova Dolores é interpretada pela ótima Tessa Thompson. Mas a verdadeira Dolores também é recriada.
Assisti eventos do III SPHarpFestival no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. O primeiro que vi foi o espetáculo Retrato de Dorian Gray. Músicos interpretaram rock enquanto Cristina Harumi contava a enigmática história de Dorian Gray. Adorei! Na harpa clássica estava Tatiana Henna, junto com Doug Almeida, no violão, Nayane Spigoti no teclado e vocal e Paulo Keller no vocal.
Outra apresentação foi do paraguaio Lucas Zaracho com uma linda harpa paraguaia. O músico mostrou como era a harpa paraguaia original e que depois, incorporaram uma parte que trouxeram de tecnologia europeia e essa é a configuração hoje da harpa paraguaia. Ele interpretou belas músicas tradicionais do Paraguai e rock.
Teve outra paraguaia no festival, a bela e doce Vivian Duré Prado. Como Lucas, ela interpretou a bela Índia e outras canções tradicionais paraguaias. Como toca! Ela já fala um pouco de português, engraçado que o sotaque é caipira.
Por último ouvi o excelente Nando Araújo que toca uma harpa céltica que gosto muito. E ótimos também os músicos que se apresentaram com ele: José Gustavo Julião de Camargo na viola caipira, Willian Storti no acordeão e Sara Cesca na rabeca. E que lindo repertório, músicas célticas com várias danças, composições próprias do Nando Araújo, Beatles e no bis uma belíssima do grande Roberto Corrêa. Foi muito lindo. E todos esses eventos foram de graça.
Assisti The Beguiled (2017) de Sofia Coppola no TelecinePlay. Eu amo essa diretora, entre as minhas preferidas atualmente. Esse filme é baseado na obra de Thomas Cullinan e já teve uma adaptação em 1917 com Clint Eastwood que eu não sei se vi. No Brasil essa adaptação está com o nome de O Estranho Que Amamos, até que é razoável.
Sofia Coppola tem um olhar muito feminino e surpreendente. Suas obras mostram muito detalhes do cotidiano, pequenos gestos, olhares. É uma diretora milimétrica. Por The Beguiled ganhou prêmio de Melhor Diretora no Festival de Cannes.
Uma menina encontra um homem na floresta. Ele está muito ferido e ela leva pra onde mora. Ela vive em um internato. É a época da Guerra Civil Americana. As meninas que puderam ir embora pra casa partiram. Ficaram algumas meninas, e a diretora que é rígida. Uma professora mais doce. Mas todos os sentimentos são escondidos, até mesmo pela época. Tudo é velado e silencioso.
É muito engraçado ver a mudança de comportamento de todas com a chegada do "inimigo" já que ele é do lado contrário ao delas. Elas passam a se arrumar mais, a arrumar desculpas para vê-lo. The Beguiled é boa parte do tempo muito delicado e bonito.
Ele quer a todo custo ficar lá, é um desertor e não quer nem voltar a guerra nem a prisão. Ficamos o tempo todo entender o sentimentos de todos eles, se são verdadeiros. A ambiguidade dos personagens é impressionante. Era maldade? Proteção? Quem era verdadeiro? The Beguiled tem uma reviravolta mais pro final e fica bastante tenso, quase difícil de assistir. Grande filme e que elenco. Todos os personagens são difíceis e de difícil interpretação. Colin Farrell é o estranho. A diretora é interpretada pela Nicole Kidman. A professora por Kirsten Dunst. Rivaliza com elas a personagem de Ellen Fanning. As meninas também são excelentes: Oona Laurence, Angourie Rice, Addison Riecke e Emma Howard. Gostei que a maioria dos figurinos de Stacey Battat são brancos, nudes, cremes, raramente com cores. Belíssima casa que escolheram para as locações. E belíssima iluminação e fotografia de Philippe Le Sourd.
Terminei de ler Deixei Ele Lá e Vim ( 2006) de Elvira Vigna da Companhia das Letras. Eu amei essa capa de Kiko Farkas,mas fiquei aborrecidíssima com a orelha do livro, por sorte nunca leio antes, porque contou o livro todo e seus segredos, absurdo. Não sei como a editora permitiu isso. Eu queria muito ler essa autora que tem recebidos tantos elogias e boas críticas. Estava muito curiosa. Escolhi esse sem ler muitos detalhes. Quando comecei a ler achei fascinante o estilo e fui pesquisar um pouco da vida dela e me surpreendi.
O texto tinha uma compreensão dos caminhos que mulheres transitam, trajetórias muito surpreendentes. Um olhar rebelde e na foto da escritora não encontrei esse submundo.
Obra La Mère Engloutie (1997) de Gilda Vogt
Há uma protagonista que narra a trama. Ela está em hotel, na verdade no bar do hotel. Ela conta pouco, mas vamos sabendo que ela fez uns trabalhos no hotel, dormiu com alguns homens. É muito interessante como ela conta a questão do dinheiro, como se tivesse sido uma ajuda de uma amigo porque ela estaria precisando. E veio outro amigo do amigo. Como se fosse ajuda não pelo sexo, mas que vinha depois do sexo. Como fica muito tarde, ela dorme escondida em uma espreguiçadeira, já que não há mais transporte público no horário. Ela tudo vê. É muito surpreendente a forma como essa autora constrói as frases, fascinante. O livro é bastante surpreendente!