Assisti Ilha dos Cachorros (2018) de Wes Anderson no TelecinePlay. Faz um tempinho que vi essa animação no Now, nunca tinha ouvido falar, mas por ter animais, eu relutei em ver. Tenho pavor de ver filmes com animais porque muitas vezes eles sofrem, até mesmo nas gravações, apesar de vir o letreiro no final que nenhum sofreu maus tratos, quando visivelmente percebemos que não foi bem assim. Evito profundamente. Resolvi tentar assistir.
Ilha dos Cachorros é um filme muito sombrio sobre a maldade humana. Como não tem um perfil melodramático e sim mais informativo, dá pra suportar. Fico pensando a partir de que idade agrada por ser uma trama complexa e dramática. Um líder oriental e muito mal resolve banir os cães da cidade e enviá-los para uma ilha onde há depósito de lixo. Os cães estão com doenças e ele influencia a opinião pública contra os cães. Os cientistas são contra já que estudam remédios para as doenças, mas não conseguem persuadir nem o líder nem a população manipulada. A atualidade da trama incomoda.
Um garoto de 12 anos aparece em um avião pequeno na ilha pra procurar o seu cachorro. Como um cachorro diz, é o único que parece se incomodar com o destino dos bichanos. É muito interessante como é construída a animação. O japonês só entendemos se tem tradutor. O filme é na ótica dos cães. Então entendemos o que eles dizem, mas o garoto que está na ilha não entendemos. Fiquei inclusive curiosa pra saber se o que os orientais falam é um idioma mesmo ou só sons. A animação é de stop-motion, feita quadro a quadro, incrível!
Fui ao recital do Centro de Música Brasileira no Centro Britânico Brasileiro. Primeiro tocou o duo de flauta e violão com Eduardo Monteiro e Giácomo Bartoloni. O violonista contou que os dois integravam um grupo, mas que as distâncias os separaram. Eduardo vive no Rio de Janeiro e Giácomo em São Paulo. Foi um belíssimo repertório. Giácomo contou que na década de 70 foram solicitadas obras para flauta e violão de vários compositores, e que o repertório da noite era com várias dessas obras. Contou que Osvaldo Lacerda não tinha obras para flauta e violão, então eles adaptaram uma que era pra harpa e flauta. Belíssimo programa!
A foto é de Fábio Bartoloni.
Programa:
João
de Souza Lima - Peça para Flauta e violão
Breno
Blauth - Enigma
Sergio
Vasconcellos Corrêa - Desafio
Achille
Picchi - Prelúdio (violão solo)
Osvaldo
Lacerda - Improviso nº 2 (flauta solo) e Balada (transcrição de Giácomo
Bartoloni)
Edmundo
Villani-Côrtes - Cinco Miniaturas (prelúdio, toada, choro, cantiga de ninar e
baião)
Depois Tânia Guarnieri ao violão e Araceli Chacon tocaram a segunda parte. Foi um belíssimo repertório, com muito virtuosismo, mas mais triste. Tânia tocou obras do seu pai, o compositor Camargo Guarnieri e vários outros compositores que adoro como Ronaldo Miranda, Liduíno Pitombeira e Osvaldo Lacerda. Não conhecia o compositor Alexandre Schubert que é de Minas Gerais e gostei muito também. Programa:
Ronaldo
Miranda - Moderato Cantabile
Liduino
Pitombeira - Fantasia sobre a "Muié Rendera"
Osvaldo
Lacerda - Acalanto Pentafônico e Invocação (dedicado à Tania Camargo Guarnieri)
Alexandre
Schubert - Só
Camargo
Guarnieri – Cadência e Sonata nº 6 (Tranquilo-Allegro, Misterioso e Grandeoso)
Em todo o recital foram interpretadas obras de 10 compositores brasileiros e tudo isso de graça.
Assisti Vazio Coração (2013) de Alberto Araújo no Canal Brasil. É mais ou menos, mas tem umas questões interessantes. Murilo Rosa faz um cantor de música popular cafona e é bem famoso. As fãs gritam, correm. As músicas são baladinhas românticas melosas e ruins, medíocres mesmo, com letras e ritmos óbvios e Murilo Rosa canta bem mais ou menos. Vazio Coração é mais um filme melodramático.
Ele tem uma relação ruim com o pai que é embaixador e tenta uma reaproximação. Aos poucos vamos entendendo o que aconteceu. O pai é interpretado pelo excelente Othon Bastos. Acho que eu também seria muito desgostosa se tivesse um filho cantor de música romântica ruim, de sertanejo universitário. O pai não se conforma que o filho faça versos tão ruins e que ainda use a sua história para expor a família nas letras. Acho que eu teria pavor também. A música Vazio Coração que o filho faz ao pai é de chorar de ruim.
Gostei de saber que o filme foi realizado com incentivo a cidades fora dos grandes centros, visando um possível retorno turístico. Eu fiquei com muita vontade de conhecer Araxá. As cidades mineiras são lindas. O Brasil tem tanta cidade linda, é muito bom que elas tenham patrocínio para filmes.
Fazem participações Lima Duarte e Bete Mendes, são avós maternos do cantor. Larissa Maciel é a esposa do cantor. Oscar Magrini o braço direito do cantor. Patrícia Naves a mãe.
Assisti a ópera O Caso Makropulos deLeoš Janáček no Theatro São Pedro. O compositor é tcheco e é uma obra interessantíssima baseado no texto cômico de outro autor tcheco, Karel Capek. A direção cênica é de André-Heller Lopes e a direção musical e regência de Ira Levin.Toda a ópera foi para reverenciar a maravilhosa soprano Eliane Coelho. Absurdamente impressionante! Ela fica praticamente o tempo todo no palco, destrinchando a trama policial. Fotos de Helena Bortz
Começa em um escritório, é uma questão de herança. A burocracia nos é muito familiar. Os cantores são:Eric Herrero,Vinicius Atique,Michel de Souza,Daniel Umbelino,Luisa Francesconi,Giovanni Tristacci,Mauro Wrona,Anderson Barbosa, Nathalia Serrano e Fernanda Nagashima. Ainda terão récitas até o dia 23 de junho. Teaser da ópera no Facebook.
Terminei de ler A Floresta de Pigmeus (2004) de Isabel Allende da Bertrand Brasil. Eu queria muito ler esse livro, achei em um sebo. É o último da trilogia As Aventuras da Águia e do Jaguar. Os anteriores eu comentei aqui: A Cidade e a as Feras e O Reino do Dragão de Ouro.
O marcador de livro é de couro e do Peru. A autora nasceu no Peru, mas é considerada chilena por ter ido logo morar no Chile. Mas por viver nos Estados Unidos também é considerada americana. Os pintores da postagem são chilenos.
Obra Painel Floresta Mágica de Enrique Rodriguez
Agora a jornalista Kate é designada pela International Geographic a fazer uma matéria na floresta africana. Ela diz que só pode ir com o neto e a amiga. Eles seguem então para uma aventura. Lá conhecem uma aviadora até que um missionário pede que essa aviadora o leve ao meio da floresta para resgatar dois missionários desaparecidos.
Obra O Rei do Bosque (1982) de Patricio de la O
Antes da obra começar a autora fala do seu compromisso com as florestas. É perceptível na obra, em meio as aventuras, o cuidado com os animais, as florestas e as pessoas. E Isabel Allende escreve muito bem aventuras. Gosto muito de toda a trilogia.
Obra Reconstruindo pela Água (2016) de Alejandro Escribano
A autora é muito irônica. O tempo todo ela questiona o missionário e a não aceitação as crenças das aldeias e sobre a arte também.
Trecho de A Floresta de Pigmeus de Isabel Allende:
"Para Kate, formada na sobriedade de uma igreja protestante, o culto católico parecia tão pitoresco quanto as cerimônias religiosas dos povos africanos.
-Eu também tenho um amuleto, mas não creio que ele seja capaz de me salvar dos dentes de um crocodilo - disse Angie, mostrando sua bolsinha de couro.
-Não compare seu fetiche de bruxaria com um escapulário! -irmão Fernando protestou, ofendido.
-Qual é a diferença? - Alexander perguntou com muito interesse.
- O primeiro representa o poder de Criso, o segundo é uma superstição pagã.
- Às nossas crenças chamamos de religião, às dos outros, superstição - Kate comentou.
Sempre que surgisse uma oportunidade, ela repetia essa frase em presença de seu neto, para que ele aprendesse a respeitar as culturas diferentes da sua. Outras frases favoritas de Kate eram as seguintes: "Falamos um idioma, os outros falam dialetos"; "O que os brancos fazem é arte, mas o que as pessoas de outras raças fazem é artesanato"."