Essa diretora utiliza o terror para falar de questões complexas e profundas. Nesse caso, além de uma grande miséria financeira, essa família sofre com a solidão e o abandono. A mãe da menina morreu, o pai é pedreiro e trabalha demais. A tia casa e vai embora. A tia era a única que fazia a rotina da criança ser mais organizada. O pai, envolvido em seus conflitos, mal olha a menina. E ainda fica muito bravo quando a menina começa a se apegar aos pedaços da mãe morta, a rituais. Ele nem percebe que a ausência dele é muito mais danosa a menina que esses objetos que acabam fazendo companhia pra ela, que passa a ter algum objetivo.
A menina diz ao pai que a escola está de férias, eu confesso que fiquei na dúvida se ela não estava mentindo. Ele nem vai verificar. A menina fica o dia inteiro nessa casa, uma mulher vai levar quentinhas na hora do almoço, mas todo o resto do tempo ela fica sozinha. A noite ela vê filmes de terror, onde passa a ter ideias dos rituais. É melhor olhar para o sobrenatural do que olhar pra vida dela tão dilacerada e sem perspectiva. Julio Machado está igualmente impressionante. Fiquei imaginando o quanto devia ser difícil pra esses atores fazerem as cenas.
A Sombra do Pai fala muito de pobreza, dessas crianças que ficam sozinhas em suas casas, tendo que se virar totalmente sozinhas, abandonadas a própria sorte, porque seus pais não tem recursos pra colocar quem cuide delas e ficam exaustos de tanto trabalhar. Crianças que precisam amadurecer muito cedo. A festa de aniversário dela é de cortar o coração. Artificial, triste, simplesmente desoladora.
Beijos,
Pedrita
























