terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai de Gonçalo M. Tavares

Terminei de ler Uma Menina Está Perdida no Seu Século À Procura do Pai (2014) de Gonçalo M. Tavares da Porto Editora. O Carlos do Geocrusoé comentou sobre esse livro no  blog dele, que vou ler a postagem com detalhes depois de escrever esse post. Um amigo me perguntou o que eu queria de Portugal e enviei uma listinha, sem abusar muito, mas já abusando, e vieram 4 livros, esse é o primeiro que li. Meu amigo deixou a listinha em um alfarrabista, o sebo aqui do Brasil, o dono do sebo comentou com ele: "sua amiga tem bom gosto" e eu deixo esse elogio para o Geocrusoé, já que a lista é dele. Achei tudo lindo, a edição é primorosa e que texto! Nossa, que livro! Comecei bem o ano! No Brasil esse livro é editado pela Companhia das Letras.

O marcador de livro também foi outro presente desse amigo querido, Achei muito lindo. E o ursinho da querida Patry do Marion e Sua Vida. E a toalha de Natal da minha mãe, que saudade.

Obra Fada Azul e Pinóquio (1995) de Paula Rego

Um homem encontra uma menina, ela diz que está a procura do seu pai. É uma menina com trissomia 21. Ele tem dificuldade de conseguir informações com ela que só sorri. O livro tem muita surrealidade que é minha paixão. Ele começa então a procurar informações pelos objetos que ela traz, uma caixa de fichas com instruções de sobrevivência, que servem mais para quem encontrá-la do que pra ela, e um outro objeto.

Obra Soria-Nimes (1971) de Joaquim Rodrigo

São tantos detalhes, cada frase é mágica. O protagonista repara que a relação das pessoas com ele mudam com a companhia de Hanna, sempre sorridente. As pessoas o tratam melhor, são mais solícitas, porque Hanna sempre sorri. Tudo é fascinante! O encontro com um colador de cartazes, de uma família coladora de cartazes, que deixa mensagens por onde passam. O hotel sem nome. O contraponto entre o Terezín e o dono do antiquário. O Terezín acha que os objetos não são importantes e vai esvaziando o seu quarto ficando com o mínimo que acha necessário. O do antiquário, mais o meu estilo, dá um jeito de ter objetos mágicos em cada canto de seu minúsculo apartamento. O autor diz que o dono do antiquário, como eu, parece se interessar mais pelas histórias de quem passou pelos objetos do que pelos objetos. Que sonho seria eu poder ir nesse antiquário, mas morreria de medo das escadas. Eu ficava me perguntando onde o livro chegaria, como seria quando o protagonista achasse o pai da Hanna. O desfecho é espantosamente surpreendente! Que livro!

Beijos,
Pedrita

domingo, 3 de janeiro de 2021

Paraíso

Assisti Paraíso (2016) de Andrei Konchalosky no Telecine Cult. Faz tempo que gravei esse filme, agora vários estão para sair da lista de gravações. Como é da Segunda Guerra Mundial e na época que gravei estava lendo um livro achei melhor esperar. Que filme! Foi o que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ganhou vários prêmios. E não é porque trata desse tema, mas pela forma como é realizado. 

Três pessoas estão sendo interrogadas e com isso conhecemos as histórias deles. Uma aristocrata russa é investigada por um francês, depois ela está em um campo de concentração e reencontra uma pessoa que conheceu no passado. Agora ele é um militar de alta patente do governo nazista.

As tomadas de câmeras são interessantíssimas. Às vezes só vemos uma pessoa em um ambiente, não sabemos mais quem está lá. Paraíso é um filme muito filosófico. O oficial francês precisa seguir as ordens nazistas, teme por sua família. O alto militar alemão é muito rígido e vai ao campo de concentração investigar corrupções. Ele já investigou em outros campos e seus relatórios levaram ao fuzilamento dos responsáveis. Como se a corrupção fosse o que se fizesse de errado em campos de concentração. A atriz que faz a judia é deslumbrante e como atua, Yulika Vysotskaya. O belíssimo alemão por Christian Clauss. O francês por Philippe Duquesne.
Muito chocante o final e imprevisível. O filme é em homenagem aos imigrantes que deram suas vidas para salvar crianças.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Sergio

Assisti Sergio (2020) de Greg Barker na Netflix. Desde que soube que esse filme era realizado quis ver. O diplomata Sergio Vieira de Mello sempre foi muito respeitado, um grande negociador, idealista e humanitário. O filme mostra o atentado que o matou no Iraque e as relações do diplomata no Timor Leste, uns anos antes. Com isso conta um pouco a história do diplomata na época da ONU. O filme é baseado no livro da embaixadora Samantha Power, O Homem que Queria Salvar o Mundo: Uma Biografia de Sergio Vieira de Mello. Há um documentário do mesmo diretor de 2009 que quero ver.

Foi no Timor Leste que ele conheceu sua atual esposa, Carolina Larriera, uma economista argentina que também trabalhava na ONU. Ele foi muito bem sucedido nas negociações no Timor Leste que buscava sua independência. A Indonésia que dominava o país. No Iraque, Larriera era contrária a guerra ilegal, mas ele achou que deveria ir e ela foi junto. Wagner Moura interpreta o carismático Sergio e também produz o filme 
A atriz cubana Ana de Armas  interpreta Larriera. Clarice Abujamra interpreta a mãe de Sergio em uma pequena participação.
Sergio Vieira de Mello e Carolina Larriera.
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Olho de Gato de Margaret Atwood

Terminei de ler Olho de Gato (1988) de Margaret Atwood da Marco Zero. Uma amiga que me presenteou com o livro. Apesar do marcador de livros ser de gatinhos, presenteado por outro amigo, o olho de gato refere-se a uma bolinha de gude muito famosa no passado. Inclusive a capa da Leda Catunda tem uma bola de gude olho de gato no desenho, mas tá coberto pelo marcador.

A protagonista é a Elaine. Ela vai abrir uma exposição com seus trabalhos e lembra de sua história. Na infância ela e o irmão jogavam bolinhas de gude. Ele guardava as mais raras e bonitas em vidros e enterrava. Os dois não jogavam as bonitas que conquistavam, só as comuns. Ela conseguiu uma bolina de gude de olho de gato e guardava como amuleto.

Obra Primavera Azul (1960) de Joyce Wieland

O texto contundente da Margaret Atwood aparece em vários momentos. Assustador o que a protagonista passa com suas colegas da escola quando é pequena. Incompreensível ou não ela voltar a ficar amiga de uma delas mais tarde em outra escola. O texto, subliminarmente, mostra o silêncio de todos, dos pais das crianças, mesmo da mãe dela, que percebiam que algo muito grave acontecia, mas fingiam não ver ao ponto de quase uma criança ser morta. E de quanto o ódio que tinham dela vinha do preconceito de seus próprios pais. O silêncio que mata. 
Elaine fala dos seus quadros, de como os pinta, no início do livro a autora diz que os quadros não existem, mas cita os artistas que se inspirou para descrevê-los. Um artista é desse quadro, Joyce Wieland.

Outra mencionada é Lenore Atwood. Elaine pinta várias naturezas mortas.
O livro é bastante extenso, passa por toda a vida da Elaine até a exposição quando ela é mais velha. Fala de seus casamentos, das aulas de pinturas, de seus envolvimentos amorosos, um pouco de seu irmão que ficou cientista e bem pouco dos filhos.

Que vocês tenham uma boa passagem de ano com muito cuidado. Que venha 2021, que eu espero que seja mais esperançoso.

Beijos,

Pedrita

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

The Little Stranger

Assisti The Little Stranger (2018) de Lenny Abrahamson na Netflix. Eu procurava um filme pra distrair, não estão sendo dias fáceis e achei essa preciosidade. Achei que era filme de fantasminha e resolvi ver. Que filme psicológico e profundo. É todo nas entrelinhas. É baseado no livro de Sara Waters que quero muito ler.

Um médico começa a ajudar uma família decadente. Aos poucos ele conta que na infância esteve dentro daquela casa uma única vez, que ele era o filho da empregada. Ele é interpretado brilhantemente por Domhnall Gleeson. Charlotte Rampling faz a dona da casa. Sua filha é interpretada por Ruth Wilson.
Há ainda um outro irmão, que esteve na guerra, interpretado por Will Poulter. A empregada é interpretada por Liv Hill.
As duas crianças do passado são interpretadas por Oliver Zetterström e Tipper Seifert-Cleveland. A mansão também um importante personagem.

Beijos,
Pedrita