sábado, 23 de janeiro de 2021

Shala

Assisti ao curta Shala (2016) de João Inácio no Canal Brasil. Que preciosidade que descobri por um acaso, estava zapeando e começava, parei pra ver. É bem curtinho e pode ser visto no youtube, vou colocar aqui o curta. É sobre adoção. Que curta forte e triste! Quanta intolerância e ignorância!

Duas crianças (Tiago Assis e Iizabelli Vilhena) brincam em um orfanato em Manaus. A menina conseguiu ser adotada por uma família, o amiguinho fica muito triste, então ela deixa a boneca Shala com ele. É muito profundo!
Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

O Despertar de Motti

Assisti O Despertar de Motti (2018) de Michael Steiner na Netflix. Eu queria ver um filme diferente e coloquei alemães na busca e veio filmes falados em alemão. Esse tem alguns diálogos em alemão, o diretor é suíço. E Thomas Meyer, roteirista e autor do livro que deu origem ao filme, é alemão. Gostei bastante!

O filme é muito bem construído. No começo, Motti nos relata em imagens o que a família judia ortodoxa quer pra ele. Que ele case com uma judia ortodoxa escolhida pela família e  que tenha muitos filhos. Ele relata também que judeus ortodoxos estão sempre dando conselhos. Que os óculos só são comprados na loja que eles indicam, o carro todos tem igual pelo mesmo motivo. Motti faz faculdade e começa a questionar todas essas obrigatoriedades. Ele é interpretado muito bem por Joel Basman. A colega de faculdade pela linda Noémie Schmidt.

A família tem uma empresa de seguros e o rapaz cuida do seguro de uma mulher riquíssima que tem câncer. Essa mulher ajuda muito sutilmente ao rapaz redefinir a sua história. E lê cartas de tarô pra ele. Ela é interpretada por Sunnyi Melles.

O pai é mais flexível, mas a mãe é muito autoritária e dramática. O pai é interpretado por Udo Samel e a mãe por Inge Maux. Uma graça a jovem que tentam arranjar casamento com o rapaz interpretada por Lena Kalish. Eu não acreditei quando o rapaz aceita o conselho do rabino e vai para Israel ver se lá ele acharia uma esposa judia. Mas é lá que toda a transformação finaliza. Muito engraçada a família judia que misturou a cultura oriental em sua religião, com yoga e meditação.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Ma Rainey´s Black Bottom

Assisti Ma Rainey´s Black Bottom (2020) de George C. Wolfe na Netflix. O filme é baseado na peça de 1984 de August Wilson. Uma banda debate sobre suas vidas em uma sala. Só os homens da banda. A cantora Ma Rainey vai gravar um LP. Podia ser qualquer cantora, até uma fictícia. É praticamente uma pequena participação. Li uma pessoa dizer que finalmente reverenciaram Ma Rainey (1886-1939), não é verdade. A incrível Viola Davis canta umas músicas e tem algumas cenas, mas o filme é com a banda. Ma Rainey merecia e merece um filme sobre seu talento e vida.

O filme é de e para Chadwik Boseman. Seu último filme. Ele está incrível! Ele é um revoltado jovem com as injustiças. Os músicos da banda, mais velhos, e mais conformados, também estão ótimos: Colman Domingo, Michael Potts e Glyn Turman.
O grupo vai gravar um LP. Ma Rainey já é muito famosa. Nas intermináveis esperas, acontecem os diálogos do filme. Em poucos momentos, passam rapidamente as gravações e alguns pouquíssimos diálogos da cantora. Sua namorada é interpretada por Taylour Page. O sobrinho por Dusan Brown. O agente e o da gravadora são Jeremy Shamons e Jonny Coyne.

O trailer mostra um filme que não é o filme que vocês vão ver. São mais de 20 minutos só entre os quatro homens da banda em uma sala, depois voltam pra lá também e mais um tempão. As cenas com Ma Rainey cantando são bem poucas, bem rapidamente. O filme é praticamente uma peça de teatro em uma única sala.


Beijos,

Pedrita

sábado, 16 de janeiro de 2021

O Crime do Monsieur Lange

Assisti O Crime do Monsieur Lange (1936) de Jean Renoir no Festival 125 Anos de Cinema do Telecine Cult. O Telecine tem passado aos domingos filmes marcantes da história do cinema. Começaram com os primeiros preto e branco mudos e agora estão em Jean Renoir. Essa semana será Buñuel. No Now tem alguns, no streaming da Telecine na internet a seleção de filmes é infinitamente maior.

O que me impressiona em seus filmes são a quantidade de gente, nossa, é muito ator, personagem, até eu me perco. Imagino que como o cinema estava no começo, muitos aceitavam participar e ganhar pouco, porque se fosse o que se paga hoje em dia para cada personagem o filme seria caríssimo! Um casal chega fugindo em uma pensão perto da fronteira. Logo descobrem que o marido é um assassino procurado. A esposa resolve então contar a história deles, pra ver se as pessoas iam mesmo querer entregá-lo a polícia e ganhar a recompensa. Seus filmes são sempre a frente do seu tempo. A moça diz que já teve outros homens, mas agora é ele que ela ama.
O filme segue para o passado. O dono de um periódico é um mal caráter, bon vivant, engana as mulheres, os funcionários, a família, os credores, deve todo mundo, não paga ninguém. E explora todo mundo, sempre dá um jeito sem vergonha de fazer as pessoas pagarem pra ele o que quer que seja. Ele morre, o jornal está coalhado de dívidas. O safado tinha colocado como dele uma novela periódica Arizona Jim, escrita por um francês que nunca foi aos Estados Unidos. Os funcionários se juntam em cooperativa, passam a produzir o Arizona-Jim e mais uma infinidade de produtos, até vão fazer um filme e todos prosperam. Todos passam a ganhar com dignidade e o jornal paga suas dívidas. Adorei ser ambientado em um periódico, que o sucesso se dava pela história do Arizona Jim publicado em capítulos a cada semana, que as edições se esgotavam.
O safado do dono do jornal não tinha morrido e aparece. O elenco é numeroso. O casal fugitivo é interpretado por Renè Lefèvre e Florelle. O editor por Jules Berry. Alguns outros são: Nadia Sibirskaia, Marcel Levesque e Henri Guisol.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A Bela Criatura Que Mora Nessa Casa Sou Eu

Assisti A Bela Criatura Que Mora Nessa Casa Sou Eu (2016) de Oz Perkins na Netflix. Novamente querendo fugir da pesada realidade fui ver filmes de fantasminha. Esse é bem sutil, um pouco mais que gostaria, mas é um bom filme do gênero. 

De baixo orçamento, o filme é todo realizado em uma belíssima casa. Há uma narração da protagonista interpretada pela Ruth Wilson, de repente essa atriz tem invadido as publicações, ok, os algoritmos devem enviar obras com atores que acabei de ver, mas alguns foram na HBO e outros por aqui na Netflix. Ela é cuidadora e vai cuidar de uma idosa em uma belíssima casa afastada. A narradora fala que é uma casa velha, não parece velha a casa, achei muito bonita e bem conservada. Há telefone fixo e fita cassete, então temos uma certa ideia do período, mesmo assim, achei estranho uma única mulher assumir tudo na casa, serviços domésticos, cozinhar, cuidar da idosa 24 horas, sem folga. Só mesmo pra poder contar o filme. Tem que abstrair. Inclusive a protagonista tem tempo de sobra, não sei como consegue em uma casa tão grande, com uma idosa que precisa de tudo, ela ter tempo de limpar e deixar a idosa sozinha em outro andar. Não vemos inclusive nunca ela fazendo faxina, acho que esqueceram que uma casa precisa ser limpa, acho que quem fez o roteiro não tem a mínima ideia que uma idosa não pode ficar sozinha e que uma casa desse tamanho dá muito trabalho na limpeza, sem falar em fazer as refeições, lavar a louça, realmente quem escreveu não entende nada de cuidadores e muito menos não entende nada de serviços domésticos. 

Meses depois, por uma infiltração, a cuidadora chama o responsável pelos bens da idosa (Bob Balaban) para pedir a reforma e tem um diálogo com ele. Uma hora vemos um caminhão de compras indo na casa. A protagonista fala ao telefone com uma amiga e conta um pouco dela, mas no geral quase não há diálogos e só sensações. A idosa fala muito pouco, ela chama a cuidadora, seria melhor chamá-la de faz tudo, de Polly e é interpretada por Paula Prestiss. Quando ela aparece jovem é interpretada por Erin Boyes. Ela é uma famosa escritora de livros de terror, como diz a narradora, daqueles que vendem em aeroportos. A cuidadora não gosta de ler, mas pela insistência da idosa chamá-la de Polly e por saber com o responsável da administração dos bens da idosa que era uma personagem de um livro, ela resolve ler o livro. Ela morre de medo de livros do gênero, lembrou umas amigas que me visitam no blog.
A escritora relata no início do livro que o que escreveu foi Polly que contou, ela só escreveu. Polly então seria interpretada por Lucy Boynton e pouco aparece. Vem mais em vulto e mal a enxergamos e quando a cuidadora lê mostra a história do livro. Bem interessante essa dúvida se há mesmo o mistério ou só a cuidadora ficou sugestionável.

Beijos,
Pedrita