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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Elysium

Assisti Elysium (2013) de Neill Blomkamp na HBO. Eu queria muito ter visto esse filme nos cinemas já que tem dois atores que adoro Wagner Moura e Alice Braga. Só recentemente que vi que é com um grande autor atual, o sul-africano Neill Blomkamp. Eu tinha ficado impactada com Distrito 9, o mesmo aconteceu com Elysium. E só quando estreou na HBO é que soube que é com outro ator que adoro, Matt Damon.

Neill Blomkamp é um autor difícil, suas obras nos dilaceram. A terra fica dividida. Em 2154, o caos aqui e em Elysium, uma cidade  no espaço, vivem na mais perfeita harmonia. Lá ninguém envelhece nem fica doente, há cura para tudo. Aqui parece o nosso sistema público de saúde, não há cura para quase nada, tudo precário e superlotado. O personagem do Wagner Moura prepara doentes em naves para tentar invadir Elysium. Em uma das tentativas duas naves são atingidas com 46 civis doentes mortos. Só uma chega ao destino e uma menina é salva.

O personagem do Matt Damon está em condicional e tenta viver com dignidade. É um dos poucos da terra que tem um trabalho, miserável o trabalho, a maioria vive na mais perfeita miséria. Neill Blomkamp usa muito a ficção científica para criticar os sistemas governamentais que separam cruelmente as pessoas. São separadas as que merecem uma vida digna e as que vivem na violência e no caos. O autor é sul-africano, mas essa temática é muito atual no Brasil. Quem tem acesso a tratamentos dignos no Brasil é uma minoria, que muitas vezes paga fortunas para ter parte desse direito. Enquanto a maioria nem com mandato judicial consegue acesso a cirurgias vitais.

A crítica social do diretor e autor continua quando mostra Elysium, a maioria é loira. O elenco estrelado continua: Jodie Foster e Diego Luna. Ainda no elenco: Sharlto Copley, Emma Tremblay, Maxwell Perry Cotton, Faran Tahir e Adrian Holmes. O que mais assusta nessa ficção-científica é a realidade e atualidade do roteiro. A ficção científica é uma linguagem para falar de temas atuais como intolerância, limpeza étnica, pobres com tratamentos desumanos, ricos protegidos. Os filmes de Neill Blomkamp são difíceis de assistir, mas muito realistas. Com esse segundo filme, entrou para a lista de roteiristas e diretores preferidos.

Beijos,
Pedrita

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O Quarto de Jack

Assisti O Quarto de Jack (2015) de Lenny Abrahamson no TelecinePlay. Sempre quis ver esse filme, sabia que não seria uma tarefa fácil porque é um filme muito triste e difícil. É baseado no livro da irlandesa Emma Donoghue. Começa com a mãe e o filho em um quarto. É ali que eles vivem.

É o aniversário de 5 anos de Jack. Eles tem televisão, veem o céu por uma claraboia, o quarto tem proteção contra som em todas as paredes. Com o tempo ela conta para Jack que aos 17 anos um homem pediu ajuda para um cachorro doente e ela foi sequestrada. 7 anos se passaram.

Ela combina com o filho de esquentá-lo muito para que o sequestrador o leve para um hospital e ele lá peça ajuda. Só que o sequestrador vai trazer outro remédio um dia depois. Ela então prepara o filho para fingir de morto, enrola ele em um tapete e orienta que o garoto pule quando a caminhonete parar. Tudo é muito difícil porque a única realidade que Jack conhece é o mundo do quarto. Mas ele consegue. Dois policiais vão buscá-lo. Um acha que o garoto está drogado, delirando, mas a policial começa a estranhar a conversa. É de cortar o coração quando ela pergunta pela casa e ele diz que é só um quarto, ela pergunta se tem janelas, e ele diz que não. Ela pergunta se há luz, ele fala da claraboia. Na hora ela percebe o que ocorre, avisa pra procurarem pelo satélite naquelas ruas uma claraboia e a mãe é achada.
Começa toda a dificuldade de socialização. Ele via o sequestrador que o ignorava. Jack fica escondido no armário quando o sequestrador encontrava a mãe. Como o sequestrador que levava o pouco que eles tinham, Jack tem horror a homens e ao que eles levam. Tudo é muito doloroso. A mãe da jovem se separou e vive com outro homem. São os dois que os acolhem e os ajudam a viver em sociedade de novo. Uma hora a jovem se rebela, resolve dar entrevista e uma repórter sensacionalista mau caráter faz perguntas monstruosas, responsabilizando a pobre da jovem em manter o garoto em cativeiro. Quanta crueldade. Já ouvi muito jornalista dizer que precisa perguntar, que é parte do trabalho. Incrível como justificam atrocidades. Não, não é necessário, podem ficar sem o ibope. O pior que programas como esse bombam de ibope e as outras emissoras querem o mesmo sucesso e copiam o mesmo sistema de horrores. É muito triste a cena que ela diz ao filho que não é uma boa mãe e ele diz que ela é a mãe dele. É isso, nós somos o que podemos ser, não somos perfeitos.

Os dois estão incríveis: Jacob Tremblay e Brie Larson. Ela ganhou Oscar, Bafta e Globo de Ouro de Melhor Atriz por esse filme. Os pais dela são interpretados por Joan Allen e William H. Macy. O sequestrador por Sean Bridgers. O padrasto por Tom McCamus. A policial por Amanda Brugel.
Beijos,
Pedrita

sábado, 7 de agosto de 2021

Before I Wake

Assisti Before I Wake (2016) de Mike Flanagan na Netflix. Nossa, que filme, me emocionei demais! Psicólogos deveriam ver, que profundidade! No Brasil o título tem spoiler, surreal! Tenho vários filmes que amei dirigidos por Flanagan aqui no blog.
 

Um garotinho fofo chega para ser adotado por uma família. O ator eu já vi em vários filmes, Jacob Tremblay, sempre muito fofo. Ele foi devolvido várias vezes. A mãe adotiva é interpretada por Kate Bosworth.
A família que o acolhe perdeu um filho. O pai é interpretado por Thomas Jane. Durante o filme que ficamos sabendo como o filho morreu, interpretado por Anton Evan Romero.

É lindo o que essa mãe faz por esse filho, ela não desiste do garoto mesmo quando tem motivos suficientes pra isso. O filme fala muito de perdão, acolhimento, exploração e adoção sem romantismos, é de uma profundidade impressionante! Me emocionei demais!

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Fancy Dance

Assisti Fancy Dance (2023) de Erica Tremblay na AppleTV+. Eu procurava filmes de um diretor e não entendo porque o sistema me indicou esse filme, não tinha nada a ver. A diretora divide o roteiro com Miciane Alise, as duas são descendentes de indígenas.

Na foto da busca vi a maravilhosa Lily Gladstone, eu tinha amado o trabalho dela em Assassinos da Rua das Flores, então corri pra ver. Ela está maravilhosa! A irmã desapareceu, ela vive em uma reserva indígena com muita dificuldade. No filme vemos o jeito torto dela em sobreviver, é ela que sustenta a irmã e a sobrinha. Obstinada, ela incomoda a cidade com os cartazes da irmã desaparecida. A falta de empatia local é assustadora. A polícia não tem a mínima intenção de investigar o paradeiro da irmã. Mas perseguir imigrantes, indígenas, com violência, isso sempre há tempo.
Pra piorar os avós brancos da adolescente resolvem pegar a guarda da menina de uma forma violenta. Acusando e vitimizando ainda mais essas mulheres e essa família vulnerável que vive esse drama. A tia pede mais uns dias, mas eles são pavorosos, então as duas fogem pra procurar a irmã-mãe. A jovem é Isabel Deroy-Olson e está ótima. Os avós nunca foram presentes, não entendem e não tem a mínima vontade de entender os rituais indígenas. O filme mostra as diferenças formas de pensar conforme suas tradições, outro olhar e tem camadas e mais camadas de reflexões. Abre muitas frentes de questões e é dilacerante!
Beijos,
Pedrita

sábado, 7 de abril de 2018

Refém do Medo

Assisti Refém do Medo (2016) de Farren Blackburn na HBO On Demand. Adoro esse gênero e a Naomi Watts. Esse filme é bem mais ou menos, recheado de furos, mas dá pra assistir quem ama esse estilo. O nome no Brasil é péssimo. O roteiro é de Christina Hodson.

Começa com a personagem da Naomi Watts vendo o marido levando o filho para um internato, ela parece não querer. Os dois sofrem um acidente e ela fica cuidado do rapaz entrevado. Ao lado da casa ela tem um consultório onde trata de crianças problemáticas. O primeiro furo está aí. O rapaz não faz nada, então como deixam ele horas sozinho enquanto ela atende crianças? Ela não tem nenhum ajudante na casa, para limpeza, para cuidar do rapaz. Muito surreal! O filme até preenche essa lacuna, mas ela como psicóloga teria que ter alguém que ficasse com o garoto no período que ela atende no consultório.

Um dos pacientes é um garotinho, ele foge e vai para a casa dela. Ela vai avisar para virem buscá-lo mas ele some de novo. A polícia não vasculha a casa dela. Todo mundo é incompetente nesse filme. O garotinho é interpretado por Jacob Tremblay, aquele do filme O Quarto do Jack. Coitado, só está fazendo filmes onde os personagens sofrem absurdamente. O que interpreta o filho dela é Charlie Heaton. O médico que dá suporte a psicóloga é Oliver Platt

Beijos,
Pedrita