sexta-feira, 5 de março de 2021

Karen de Ana Teresa Pereira

Terminei de ler Karen (2016) de Ana Teresa Pereira da Todavia. Em 2020 a Feira de Livros da USP foi virtual. Eu quis ao menos comprar alguns, bem poucos. Foi difícil achar os livros, verificar se as promoções existiam de fato e esse foi um deles. Gostei muito! A obra foi vencedora do Prêmio Oceanos de 2017. é uma bela edição com ilustração na capa de Zansky.

A marcador de livros é uma obra do Mucha e o quadrinho uma obra de Monet.
Ambos ganhei de amigos.

 

Obra Sombras (1964) de Lourdes Castro e René Bertholo
Foto de André Morin

Nossa, essa obra encaixa perfeitamente com o livro. A protagonista é um esboço dela mesma. Demoramos pra entender tudo então é melhor não ler nada antes, nem orelha do livro, nem resumo, nem a postagem. Entendemos que ela sofreu um acidente em uma cachoeira. Não lembra de seu passado. Só alguns poucos fragmentos. Ela vive em uma casa com uma mulher que cuida de tudo e um homem. É um livro muito forte, impactante e surpreendente.

Obra Dançarina Verde e Azul (1893) de James McNeill Whistler.

A protagonista é artista plástica. Fala muito de filmes, séries, música, são inúmeras referências.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 3 de março de 2021

Pixote - A Lei do Mais Fraco

Assisti Pixote - A Lei do Mais Fraco (1981) de Hector Babenco no Canal Brasil. Sempre quis ver esse filme mas me faltava coragem. Saber que o protagonista Fernando Ramos da Silva teve final trágico me fazia não querer ver o filme. É doloroso demais imaginar que apesar do filme ter feito tanto sucesso pelo mundo todo, ganhar tantos prêmios, não tenha conseguido mudar o trágico destino desse rapaz. Sim, filmes não dão dinheiro, ainda mais independentes e artesanais, mas o mundo conheceu esse rapaz e não foi capaz de dar um futuro diferente pra ele.

Os rapazes estão em um reformatório. Casa para adolescentes infratores que já tiveram vários nomes. Lá, tudo o que vão aprender é sobre sobreviver, sobre violência, sobre crime. Muitos dos crimes praticados são pelos próprios policiais que estariam ali para defendê-los. O discurso é que lugares como esse vão corrigir as infrações e reintegrar os adolescentes na sociedade, mas não é de fato o que acontece. Pobreza, falta de oportunidade, violência, abandono, o estado é incapaz de dar estudo e oportunidade e resta a eles mais ódio e mais aprendizado no crime. Babenco foi muito inteligente em escolher jovens que viviam em situações de vulnerabilidade para interpretar os personagens, dá muita veracidade ao filme e as interpretações. Integram os amigos de Pixote os atores Jorge Julião, Gilberto Moura, Edilson Lino, Zenildo Oliveira Santos, Claudio Bernardo e Israel Feres Davi.
Aparecem no filme grandes atores: Jardel Filho, Marília Pêra, Elke Maravilha, Beatriz Segall, Ruben de Falco, Tony Tornado, Emilio Fontana, Luiz Serra, Ariclê Perez, Walter Breda e Lineu Dias.

Beijos,
Pedrita

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Álbum Psallo Trio

Ouvi o álbum Psallo Trio (2020) no Spotify. Gostei muito da formação instigante: canto com a belíssima voz de Josani Pimenta, e dois outros músicos excelentes, Eduardo Minczuk na trompa e Marcelo Pimenta ao piano.

Gostei que o trio mesclou músicas recentes com obras de Franz Schubert e Richard Strauss. Dos compositores atuais estão: o brasileiro Danilo Guanais com a obra Salmos Meridionais, uma música contemporânea muito linda. E dois americanos Daniel Baldwin e Ryan O´Connell. O álbum foi gravado na Sala São Paulo. O álbum está disponível nas plataformas digitais.

Foto de Paulinho de Jesus

Faixas:

1 – Salmos Meridionais (2018), de Danilo Guanais (1965), escrita sob encomenda para o Psallo Trio, três movimentos

2 – Reminiscense (2015), de Daniel Daldwin (1978), Henry Lee (1915 – 1945) & Vane Lawson (1920 – 2015)
I – And Still We Have Faith
II – Prayer Before Battle
III – Death Unmasked
IV – Our Land of Broken Memories

3 – Remembering the Future (2010), de Ryan O’Connell (data de nascimento desconhecida) & Brian Andreas (1956)
I – No Difference
II – Old Love Songs
III – Different Plans
IV – Veteran Traveller
V – Awakening
VI – Imagining World

4 – Alphorn (1878), de Richard Strauss (1864 – 1949) & Justinus Kerner (1786 – 1862)

5 – Auf dem Strom (1828), de Franz Schubert (1797 – 1828) & Ludwig Resllstab (1799 – 1860). 

Beijos,
Pedrita

sábado, 27 de fevereiro de 2021

The Doll 2

Assisti The Doll 2 (2017) de Rocky Soraya na Netflix. Eu amo esses filmes com bonecos, tinha amado o primeiro que comentei aqui e fui ver esse. Ficam meio escondidos no streaming. É fantástico como o primeiro. Foi bom fugir um pouco da realidade e voltar aos fantasminhas. O três está em fase de produção e aguardo ansiosamente.

Antes dos créditos aparecerem é meio estranho, mas quando chega o casal protagonista, o roteiro como sempre é muito bom, com um viés um pouco machista, mas muito bom e coerente. Um casal tem uma linda filha. Eles vão deixar a menina na casa da avó e seguir a um compromisso. O freio do carro falha e a menina morre. A esposa fica muito mal e fica afastada do marido. Uma amiga dela aparece e fala porque ela não canta uma música de infância e evoca a filha em algum objeto, fazem claro na boneca e horrores começam a acontecer. Lindo o casal protagonista: Luna Maya e Herjunot Ali. A menina é interpretada por Shofia Shereen. 

O filme é muito assustador, não poupam as cenas violentas. As pessoas vão sendo perfuradas e não morrem rapidinho, e saem ensanguentadas tentando salvar outro que está sendo perfurado, é bem assustador. Mas o roteiro central é muito bom. Logo no começo desconfiei que algo tinha no que a filha filmava, mas não tinha ideia que não eram fantasminhas e sim a vida real. Muito bem feito.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Oblómov de Ivan Gontcharóv

Terminei de ler Oblómov (1859) de Ivan Gontcharóv da Cosac Naify. Que edição primorosa! São alguns cadernos e há desenhos diferentes em cada mudança, lindo demais. O projeto gráfico belíssimo é de Elaine Ramos e Gabriela Castro. Quando a editora anunciou que ia acabar, vários lugares começaram a vender o acervo muito barato e esse foi um dos que comprei faz bastante tempo.

Oblómov é um personagem muito interessante. Eu fui ao delírio no primeiro livro. Ele passa os dias em casa deitado na cama. Riquíssimo, herdou propriedades rurais da família que não tem o mínimo interesse de saber como vão. Até para escrever cartas está sempre postergando. E o seu funcionário? É divertidíssimo! Ele detesta limpeza, a casa vive cheia de pó. Ele culpa o patrão de nunca sair e que por isso não tem como limpar a casa. E as louças? Como eu, ele as vive quebrando, é estabanado e desastrado. Vi o quanto mudamos com o tempo. Oblómov recebe várias visitas durante o dia. Sem telefone, as pessoas tocavam a campainha e apareciam sem a menor cerimônia. São inúmeros diálogos sobre negócios, política e vida noturna. Todos convidam Oblómov que nunca sai. Tem alguns anos que  pouco visitamos os amigos, mesmo assim quando se organizam alguns eventos sociais, mas no geral, principalmente em São Paulo, cada um vive no seu canto e mal se visitam.
 
Obra Garota na Floresta (1850) de Karl Pawlowistsch Brjullow

Na segunda parte Oblómov e Olga se apaixonam. Ela acredita que vai conseguir mudá-lo. A tia sugere que sempre arrume o que ele possa fazer, mas ele só faz o que ela pede, continua não fazendo nada sobre suas propriedades. Antes inclusive um parente oportunista disse que resolveria e designa pessoas pra cuidar da fazenda e também convence Oblomóv a alugar uma casa de veraneio e faz ele assinar papéis e algumas pessoas passam a extorquir muito dinheiro dele. Um bom tempo depois é seu amigo Stolz que percebe tudo e consegue desfazer os estragos. Nesse momento Olga já percebeu que não quer esse Oblómov que vive deitado, que ele não vai mudar, e ela casa-se com Stolz. Eu confesso se eu não sei se alguém deve mudar, deve desejar outra vida da que se sente confortável. Exceto a questão financeira, Oblómov vivia bem com pouco, sem grandes preocupações, em letargia com pessoas mais simples e pobres. Não sei se poderia dizer que é uma vida ruim, só é diferente. É uma bela obra! Com texto muito, mas muito bem escrito. 
Beijos,
Pedrita