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sábado, 17 de dezembro de 2022

Todas as Flores - Primeira Fase

Assisti a Primeira Fase de Todas as Flores (2022) de João Emanuel Carneiro na Globoplay. Eu e minhas amigas noveleiras ficamos bem incomodadas que a novela não estrearia na TV aberta. Sem gostarmos das novelas que estão no ar, queríamos muito ver essa. Elas tem Globoplay, não paravam de elogiar, a internet e os críticos também, me rendi e assinei. Cancelei temporariamente Netflix, que é facílimo ir e voltar, o que me agradou demais, e assinei Globoplay por um ano. Que estou aproveitando muito! Gosto muito de novelas que tem várias protagonistas, Sophie Charlotte, Letícia Colin, Regina Casé e Mariana Nunes, sim, uma novela matriarcal. E todas arrasam!

Penso que talvez esse autor seja mais aberto a inovações e talvez esse motivo de o terem colocado no Globoplay. Como essa ideia de duas fases, parar a novela  no auge e voltar um tempo depois. Ele sempre inovou também nos roteiros. 
O elenco é bem diverso, alguns entre os atores mais adorados da TV Globo, mas outros grandes atores que ou não eram chamados para televisão ou ficavam na sombra. Cássio Gabus Mendes seria o grande vilão, mas é ele que está desbaratando a máfia do tráfico humano. Todos tem vários traços e camadas. Sua mulher e filha são lindíssimas e talentosas Naruna Costa e Yara Charry. A mãe é advogada. O pai é investigador e sócio da Rhodes, a filha tem então um cargo alto na empresa, mas é igualmente competente como os pais.

E não procuraram só atender a cota da lei, inúmeros grandes atores negros, em vários núcleos, no protagonismo, com personagens em várias profissões, classes sociais. Cada ator tinha o seu momento de destaque. Eu ouvi uma fofoca que a TV Globo vinha solicitando que as novelas encolhessem os seus elencos. Todas as Flores dava essa sensação, mas nem tanto, porque em algum momento era um núcleo que ganhava destaque. A novela tem o núcleo da Rhodes e da Gamboa, linda a vila que criaram na Gamboa. E como há muitos segredos, vamos descobrindo que muitos que estão no lado rico da novela, vieram da Gamboa. E ter uma loja permite que inúmeros patrocinadores apareçam.

Adorei que escalaram o grande ator de teatro Nilton Bicudo para um personagem complexo e emocionante. Raulzito era casado com Patsy, outra personagem ampla, com a incrível Suzy Rêgo. Ele está pra morrer, tem uma doença terminal, então quer aproveitar cada instante, vive em festas. Até que ele topa com uma das grandes personagens de Todas as Flores, Mauritânia, da maravilhosa Thalita Carauta.
Mauritânia é tão importante na trama que a internet encaixou ela no cartaz oficial. E que riqueza de personagem, sim, é cômico muitas vezes, mas a parte dramática me emocionou muitas vezes. Na juventude, Mauritânia vai tentar sobreviver como atriz pornô e é expulsa de casa pela mãe, com a maravilhosa Zezeh Barbosa. Mostra a hipocrisia da sociedade que condena uma mulher de ganhar dinheiro com o que é dela, mas não expulsa de casa o corrupto que rouba dinheiro dos outros. E pra falar profundamente dessa ironia, Mauritânia fica milionária e torna-se uma das sócias da Rhodes. No núcleo da Zezeh estão Xande de Pilares, Michele Machado, Jonah Bujark, Heloisa Honein e Mumuzinho.

A mocinha sofre o diabo. Ela descobre que tem uma mãe viva e uma irmã que precisa de transplante de medula porque tem um câncer. Pra piorar o destino dela, ela e o namorado da irmã se apaixonam. Formando um quarteto está o personagem de Caio Castro, outro que alterna muito entre vilão e mocinho.

O personagem de Humberto Carrão é bobão demais, que raiva que dá dele. Ana Beatriz Nogueira tem um lindo personagem que sai de cena logo. Ela é a diretora da Rhodes, uma das principais sócias, seu filho que assume o seu lugar. E que personagem de Fábio Assunção. É vilão, mas como alguns vilões dessa novela, ele alterna entre culpa e vilania. Ele quer se livrar da facção, mas não tem caráter suficiente. E adora dinheiro.


Outro que sofre o diabo é Diego. Nicolas Prattes arrasa. Ele e seu núcleo familiar é muito pobre e vão morar nas ruas. Ele aceita assumir a culpa de um riquinho mimado e só se ferra, inclusive sua família. 

A mãe de Kelzy Ecard arrasa. A irmã de Duda Batsow tem destinos insuportáveis. E o desenrolar de sua tragédia fica pra segunda fase, que agonia. O irmãozinho é Rodrigo Vidal.
Muitos atores estão em lugares diferentes do que normalmente atuam. Ângelo Antonio arrasa. Ele que ajuda Diego na prisão, mas tudo sempre tem um preço. Ele é casado com a linda Débora de Bárbara Reis

Adoro o núcleo dos perfumistas: Cleber Tolini (Márcio), Camila Alves (Gabriela) e Moira Braga (Fafá). A Rhodes tem um projeto de capacitação para deficientes visuais. Os diálogos eram demais e sutilmente falavam de capacitismo e preconceito. E que atores. Que delícia a personagem da Fafá. Também adorei o concurso garoto Rhodes com perfis de lindos homens diferentes. Que novela! Ainda no elenco estão: Jackson Antunes, Samantha Jones, Luis Navarro, Adriana Seiffert, Douglas Silva, Mary Sheila, Valentina Bandeira, Luiz Fortes e Leonardo Lima Carvalho. E participações de Chico Diaz, Denise Weinberg, Charles Paraventi, Angela Rebello, Bruno Ibañez e Antonio Karnewale. A trilha sonora é maravilhosa e tem no Spotify.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cisnes Selvagens

Terminei de ler Cisnes Selvagens (1992) de Jung Chang da Companhia das Letras. Minha irmã que me emprestou esse livro que tem o subtítulo Três Filhas da China. Jung Chang é chinesa e relata nessa obra a história de sua avó, mãe e dela própria, todas chinesas. As três viveram em períodos políticos muito diferentes, mas todas as três sofreram, parece que a cultura chinesa ou a destruição dela traz como normalidade a violência física, parece cultural as pessoas imporem sua vontade ou adequarem outras pela violência. A avó viveu no período do concubinato. Como a família dela não tinha muitas posses, buscaram um casamento em concubinato com alguém que melhorasse a situação de todos. O que mais me surpreendeu na história dessas mulheres, é que apesar do seu destino trágico, elas sempre tentavam burlar e fugir das regras, mesmo que educadamente ou mentindo, melhorando suas condições.

Obra de Wu Guang Zhong

A avó teve continuamente os ossos dos pés quebrados e amarrados como manda a tradição porque pés pequenos é que eram bonitos. Como concubina ela teria que morar com a esposa e as outras concubinas. A favorita sempre era perseguida, ou até mesmo envenenada, e as mulheres muitas vezes faziam isso pra se proteger porque a favorita sofria menos. Essa avó percebeu que viver com essas mulheres iria desprotegê-la e alegando que sua mãe precisava dela, continuou morando na casa do "casamento". Quando o marido estava pra morrer e ela já estava com as outras mulheres, percebeu que ia sofrer muito se ele morresse o que parecia certo. Ela seria separada da filha e enviada para uma espécie de prostíbulo. A filha era da família do esposo, não dela, como concubina não tinha esse direito. Se essa mulher não tivesse a coragem de fugir, e nem o perdão da esposa desse homem, não teríamos talvez esse livro.


Obra de Luxuriant Pines (1960) de Xie Zhiliu

A mãe de Jung Chang já viveu em outro período. Ela se tornou comunista, se apaixonou por um importante homem do governo de Mao. Nessa época acreditavam que tudo deveriam ao partido e esse marido não é gentil com sua esposa que sofre atrocidades. Ele acredita muito em servir ao partido, que amor é um sentimento burguês. O mais estranho é que tudo era muito avaliado em critérios estranhos e em um deles ele fala que se fosse feito daquela forma, ia parecer que o governo de Mao queria separar as famílias e que isso não era verdade. Mas só o que vemos nesse governo é violência e separação. Mesmo o casal tendo se dedicado uma vida ao partido, com sacrifícios monstruosos, eles são presos e torturados. Eu fiquei pensado como devia ser difícil sobreviver nesses tempos difíceis. Novamente pensei que não parecia humano sobreviver e que se eles tivessem sucumbido novamente não teríamos essa obra. Novamente também vemos a avó e a mãe de Jung lutando para todos serem menos massacrados. O pai se acorvadava mais, achava errado, mas as duas nunca desistiam de tentar caminhos melhores pros filhos não morrerem.

 Jung Chang foi criada alienada, não podia conhecer nada do seu passado, acreditava no partido, tanto que na adolescência participou da Guarda Vermelha. Demorou pra ela deixar de acreditar em Mao, inicialmente ela achava que algumas barbaridades ou eram de abuso de autoridade ou mandos da esposa do Mao sem o conhecimento dele. Só quando foi ao campo, para aprender com os camponeses atos não burgueses, é que ela começou a conhecer um pouco da história do seu país, sobre o período de muitas mortes e fome, e de muitas atrocidades. Jung Chang consegue autorização para ir estudar na Inglaterra, muito por interferência da mãe que procura muitas pessoas que assinem em favor da filha, os dois irmãos também saem do país. Como ela saiu com autorização pode voltar regularmente ao país, mesmo que seus livros sejam proibidos lá. Foi essa facilidade que permitiu muitas idas e entrevistas sobre Mao e ela pode escrever a biografia dele que quero muito ler. Esse livro é encontrado atualmente na coleção livraria de bolso da Companhia das Letras em valores bem acessíveis. É também encontrado nos sebos do Estante Virtual.

Obra de Zhang Xiaogang

Anotei muitos trechos de Cisnes Selvagens de Jung Chang. Vou selecionar alguns:

“Aos quinze anos, minha avó tornou-se concubina de um general-caudilho, o chefe de polícia de um precário governo nacional da China.”

“Eu sempre sonhara em ser escritora. Mas na China, na época em que cresci, a ideia de escrever para publicação parecia fora de questão. O país estava sob a tirania de Mao, a maioria dos escritores sofria de maneira terrível incessantes perseguições políticas. Muitos foram denunciados, alguns foram para campos de trabalhos forçados e outros foram impelidos ao suicídio. Em 1966-7, no Grande Expurgo de Mao, erroneamente chamado de Revolução Cultural, a maioria dos livros que as pessoas tinham em casa foi queimada.”

“Em 1964, Mao tachara de “feudal” e “burguês” o cultivo das flores e grama, e ordenara: “livrem-se da maioria dos jardineiros”. Criança, tive de juntar-me a outros na remoção do gramado de nossa escola, e vi os vasos de flores desaparecerem dos prédios. Entristeci-me ao extremo, e não só lutava para esconder meus sentimentos mas também me culpava por ter instintos que contrariavam as instruções de Mao, uma reação que me fora incutida por lavagem cerebral, como a todas as outras crianças na China. Embora na época em que parti fosse possível expressar amor pelas flores sem ser condenado, a China ainda era um lugar desolador, onde praticamente não se viam plantas nas casas nem floristas nas ruas. A maioria dos parques eram desertos brutalizados.”

“Em 1964, Mao elaborou uma relação de trinta e nove pintores, escritores e intelectuais a serem denunciados. Rotulou-os de “autoridades burguesas revolucionárias”, uma nova categoria de inimigos de classe.”

“Essas e muitas outras perseguições semelhantes eram típicas dos métodos de Mao na Revolução Cultural. Em vez de assinar sentenças de morte, ele simplesmente indicava suas intenções, e algumas pessoas se ofereciam para aplicar o tormento e improvisar os hediondos detalhes. Os métodos incluíam pressão mental, brutalidade física e negação de cuidados médicos – ou mesmo o uso de remédios pra matar. A morte causada desse modo passou a ter um termo especial em chinês: po-hau zhi-si – “perseguido até a morte”. Mao tinha pleno conhecimento do que se passava, e estimulava os perpetuadores dando seu “consentimento tácito” (mo-xu). Isso possibilitava-lhe livrar-se de seus inimigos sem atrair vergonha.”



From Mata Hari e 007
Beijos,
From Mata Hari e 007
Pedrita

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Singularidades Interativas - FILE São Paulo 2023

Fui a exposição Singularidades Interativas na FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica no Centro Cultural Fiesp. Se eu não tivesse insistido com o 007 pra irmos ao Sesi ver a exposição Terra Terreno Território, não tínhamos nos divertido tanto nessa mostra. É um programa e tanto pra fazer com as crianças ou para qualquer um. A gente não queria ir embora pra ficar experimentando as tecnologias. Tinha bastante gente mas dava pra ficar alternando pra liberar a outra atração, mas pelo sucesso deve lotar cada vez mais.

São inúmeras possibilidades tecnológicas. São 183 obras interativas de 39 países. Eu fiquei fascinada com essa, amei fazer as flores, o que fiz com os dois tecidos coloridos e as duas cordas geraram aquela flor.

Mas a mesma montagem permitia outras possibilidades, como essas ondas ou fogo. Eu gostei tanto desse que não queria sair dele, acho que ficaria o dia todo se pudesse. Eu e uma moça que estava na mostra também queríamos montar as flores. Eu queria conseguir a combinação que tinha feito antes mas não tirei foto. E como gira em flor, água e fogo, quando conseguia voltar ao balcão estava na água ou no fogo. O 007 foi muito paciente.
Mas eu me senti vingada quando o 007 ficou fascinado com as combinações dessas imagens. Ele fez tanto vídeo no meu celular, um mais lindo que o outro. E eu fui modelo por muito tempo. Depois ele quis só a sombra de nós dois, em vários formatos, de um lado, de outro, de frente, que não aparecesse o celular, foi muito divertido. Eu amei todas as fotos e vídeos!
Desses pássaros eu fiz um vídeo, são lindos demais, e no story do instagram mudei a música, ficou lindo demais. Muito interessante porque tem orientadores, vários. A primeira interação que vimos a pessoa tem que colocar aqueles óculos de realidade virtual e se movimentar em frente a uma tela. Depois vai ver o que acontece. Interessante que o orientador avisa que nesse só podem participar maiores de 14 anos, porque as ações com o rosto da pessoa podem ser brigas, mas eu só vi gente andando. Acabei depois me encantando com outras ações e nem voltei pra ver o que aconteceria mais nessa cena. Agora todo ano vou querer ir ver o FILE.




Beijos,
007
e
Pedrita

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Todas as Flores - Parte 2

Assisti Todas as Flores - Parte 2 (2023) de João Emmanuel Carneiro na GloboPlay. Como eu amo essa novela. A primeira parte eu comentei aqui. Se a mocinha sofre muito na primeira, nessa não é diferente. Sophie Charlotte está incrível como a doce Maíra que fica amarga, rancorosa e vingativa. Sua mãe sequestra seu filho, ela então começa um plano pra destruí-la. Rouba o seu dinheiro, faz cirurgia nos olhos e passa a ter baixa visão, mas mantém em segredo. Como lidar com bandido é sempre perigoso, ela se prejudica bastante.


 

Humberto, mais canalha que nunca, rendeu bons momentos. Fiquei triste com o desfecho dele. Inacreditável, porque é muito vilão, dá até vergonha querer ele sobrevivendo e se dando bem. Fábio Assunção arrasou. Ele e a dupla com a Regina Casé renderam momentos deliciosos.

A turma da fazenda continua sofrendo horrores. Como  os internos precisam mostrar que colaboram, vários nunca sabemos de que lado estão. Estão ótimos Samantha Jones, Duda Batsow e Luiz Fortes. Muito bom que a grande Denise Weinberg se une ao time. Ela é a grande cientista que faz experimentos e ainda cuida de toda a parte médica dos internos para melhor resultados nos crimes de tráfico de crianças e órgãos. A fazenda tinha algumas forçadas. Quem era indisciplinado era incapacitado por cirurgia e mantido por lá. Custo alto demais manter inúmeros inoperantes que precisavam de remédios, funcionários, refeições. Vendiam os órgãos depois, mas ter tanto interno era esquisito. Mas dramaturgicamente a trama funcionava muito bem. 

Como eu torcia por Mauritânia e Javé, mas era uma relação difícil. Ele tinha uma química forte e uma relação sexual longa com a filha da Mauritânia e o que todos desconfiavam, ainda era pai do filho da jovem, portanto, pai da neta da amada. Thalita Carauta em um dos seus melhores personagens. Gostei muito do Jhona Burjak. Cenas quentes de vários atores não faltaram. No twitter então viviam falando que a Rhodes parecia um motel de tanto casal que namorava por lá. Muitas cenas quentes e instigantes.
Minhas amigas terminaram de ver antes e disseram que gostaram dos desfechos. Eu concordo. Achei muito coerente o final do Pablo. Caio Castro estava ótimo. Abrir mão de uma fortuna não parecia ser o perfil dele. Como a novela falava de tráfico humano, a segunda temporada foi bem tensa, muito até, sofri bastante. Mas não dava pra imaginar que pessoas que trabalhavam há tantos anos com tráfico de pessoas, órgãos, fossem ter ações sem violência. E como a Maíra gostou de ter filho. Gostei muito! Grande novela!
Beijos,
Pedrita

sábado, 11 de janeiro de 2025

BBB o Doc

Assisti o BBB o Doc (2025) na TV Globo. Esse ano o BBB faz 25 anos então a Globo preparou vários produtos pra comemorar. Começou com uma comercial cerimônia. E agora esse documentário. É muito difícil falar de 25 anos de programa em quatro episódios, inúmeros participantes, mas foram bem cuidadosos. Sim, faltou um monte de gente, mas conseguiu falar de vários. Alguns BBBs que falei nesse blog. Agora, o documentário está disponível na GloboPlay.

Eu vi pouco dos primeiros, via algumas matérias, trechos, um ou outro pedaço de um programa, mas ver direto só uns anos depois. Bam Bam foi o primeiro vencedor e continua insuportável. Ele tem aquele ranço que as pessoas tinham no passado de achar que a maioria some depois, que poucos "deram certo", o que significa que é estar na mídia, sendo que alguém conseguir viver dignamente, ou mudar a vida financeiramente com a administração financeira do prêmio é ter dado certo. Arrogante comentou que só ele, a Sabrina Sato e a Grazi Massafera é que chegaram em algum lugar depois. Primeiro o erro de achar que se a pessoa não fica na mídia não deu certo, depois aquele olhar preconceituoso que existia no começo sobre ex-BBBs. Teve um tempo que a maioria temia ser ex-BBB. Hoje já mudou tanto, que é só mais um veículo para ter visibilidade. Agora inclusive já tem os Camorates, que são pessoas já dá mídia que participam. Eram meio a meio, mas pela preferência do público pelos Pipocas, agora são em menor número. Nessa foto está DG, Douglas Silva, já ator consagrado, que conseguiu um pouco mais de visibilidade e logo depois emplacou um personagem no ótimo Todas as Flores.
O documentário entrevistou os apresentadores, como o icônico Pedro Bial e lembraram as mudanças no tempo. 25 anos integram as inúmeras mudanças tecnológicas. Mostraram que pra votar as pessoas ligavam em telefone discado e nem falaram do alto custo de cada ligação. Imagino o susto dos pais na hora da conta. Amei todos os apresentadores. Tive resistência as mudanças, achava sempre que ninguém ia ser melhor ao que estava no ar, mas adorei Tiago Leifert e agora Tadeu Smith. Espero ansiosamente a vez da Ana Clara, uma ex-BBB que já comandou dois programas de realitys, um no Multishow e outro na Globo.
Entrevistaram Boninho que pela primeira vez não estará na direção do programa. E também o criador internacional do modelo. Ele contou que ofereceu gratuitamente pra Holanda, que ao final ele já tinha inúmeros pedidos de vários países. O Brasil é um modelo de muito sucesso, nunca pararam de evoluir. De vez em quando um participante de um BBB internacional faz intercâmbio com o Brasil e vemos pedaços do programa e é apavorante a "casa", que é sempre um cenário tosco, tudo feio. 
No Brasil aguardamos ansiosamente as imagens da casa. O BBB se inova a cada ano. Nesse Tadeu apresentava os participantes no Big Day em cada departamento da casa. Depois entraram influencers, jornalistas, fofoqueiros, então temos vídeos e vídeos da casa que está deslumbrante. O tema desse ano é em comemoração aos 60 anos da TV Globo. No passado era preciso assinar a peso de ouro o Pay Per View, termo que caiu em desuso. Agora a GloboPlay disponibiliza o programa em seu streaming então aumentou expressivamente quem assiste em tempo real o BBB.

Eu adorei os painéis na área externa, tem o pantanal, o mar e a cidade. O BBB se inova a cada ano, nesse as turmas vão entrar em dupla, mas como o BBB aprende sempre com seus erros, em um momento eles vão se separar e concorrer individualmente. Algumas invenções vem de outros BBBs pelo mundo, mas boa parte das invenções vem da mente criativa dos próprios organizadores brasileiros. Agora tem o pavor das torcidas, a força da internet. A Globo está tentando o tempo todo impedir avalanche de votos, pode até votar inúmeras vezes, mas a contagem tem outros critérios, mas a gente reclama sempre todo ano. A gente é o público que eu me incluo, mas também o grupo de Whatsapp que participo há anos só pra falar de BBB, só é ativado nessa época.
O documentário não se furtou de falar de assuntos polêmicos, como a participação da Emily Araújo e a violência doméstica que sofreu na casa. O BBB na época demorou pra agir e o público, ainda não acostumado a essas pautas, demorou pra acolher a jovem. Também falou da Ariadna, a primeira trans que participou da casa e que infelizmente saiu na primeira semana, o fato mais temido para qualquer BBB, mas que nunca foi esquecida como normalmente acontece.
Solange Vega teve também atualização histórica. Em sua participação ela sofreu racismo e o público não a acolheu, nem o programa. Tudo passou como desavença entre participantes, o que hoje não aconteceria. Sim, devagar, nós evoluímos. No começo só escolhiam brancos com raras exceções. Eram sempre jovens, lindos, modelos, profissionais de educação física. Aos poucos foram fazendo sorteio para o público entrar e foram misturando etnias, vários estados, inclusive de cidades pequenas do interior, multiplicidade de idades, pessoas com deficiência. Era comum só ter um único negro no grupo.

As profissões também foram mudando. Duas médicas já venceram Thelma Assis e Amanda Meirelles. Há regularmente professores e variação etária. Na pandemia mais velhos foram vetados por serem do grupo de risco, mas nessa edição que será em duplas, tem bem mais diversidade etária. As edições tem a cota agora de atletas olímpicos, paralímpicos. Os participantes são bem mais diversos. 

No último episódio destacaram os vencedores, alguns com mais destaque como uns que amei Diego Alemão, Maria e Juliette. E pincelaram vários outros como a Mari, outra vencedora. Ela comprou várias casas na terra dela com o dinheiro do prêmio e uma escola para a filha que já se formou. Ela vive com um certo conforto porque soube ampliar o valor do prêmio e realizar os seus desejos. Mari inclusive foi uma que foi escolhida por sorteio em uma revista.

Adorei o documentário, que venha o BBB25. 


Beijos,
Pedrita