Assisti Abril e o Mundo Extraordinário (2015) de Franck Ekinci e Christian Demaris no Festival Varilux de Cinema Francês no Looke. Isso mesmo, o festival foi disponibilizado nesse canal por 4 meses. Ele está no meu pacote de tv a cabo, antiga Net, agora Claro. Aqui vi que são 46 filmes, mas o banner diz 50 filmes, já estou começando a ver outro. Eu achei a seleção de filmes no Now, Programas de TV e canal Looke. Espero conseguir ver ao menos 5 filmes.
Gostei bem mais do nome original: Abril e o Mundo Fraudado, porque o Mundo não é Extraordinário. São dos produtores do incrível Persépolis. É bonitinha essa animação, lembra um pouco os filmes do Tin Tin. O policial inclusive é muito parecido. Eu queria ver algo mais leve nesses tempos difíceis, mas escolhi exatamente uma animação triste que dialoga com esses tempos absurdos.
Resolveram prender todos os cientistas, sem as evoluções tecnológicas o mundo depende do carvão, todos estão adoecendo com a poluição e as matas estão sendo exterminadas. Uma família de cientistas pesquisa o rejuvenescimento. São presos, a filha pequena consegue fugir com o gato falante. O gato fala porque é resultado de uma experiência dos pais dela. Ela vive então na clandestinidade, de pequenos roubos e escondida, faz pesquisas. Marion Cottilard que dubla a protagonista.
Na relação dos filmes do Festival Varilux de Cinema Francês em casa está Um Instante de Amor, com nome oficial Mal das Pedras que vi e é incrível. Está também na relação Um Gato em Paris que é uma graça de animação.
Assisti Uma Vida (2016) de Stèphane Brizè no Festival Varilux de Cinema no Looke. É o segundo filme que vi desse festival. É baseado no livro de Guy de Maupassant, Uma Vida, o primeiro livro que li desse autor há vários anos e gostei muito. Na tradução do filme resolveram colocar gênero no título infelizmente.
Gostei muito do estilo realista de direção do autor. Há muita naturalidade na vida cotidiana daquelas pessoas, seus tédios, seus afazeres. Uma mulher vive com os seus pais. Ela se apaixona por um homem. Ela não tem um grande dote, mas o pretendente ficou órfão, perdeu a propriedade porque o pai tinha dívidas de jogo. A família acha bom concordar com o casamento.
Logo percebemos que esse homem é bem diferente do que aparenta. É grosseiro com a mulher, perde o controle várias vezes. E some demasiadamente, dizendo que vai caçar. Que atriz talentosa e linda, Judith Chemla. Ele é interpretado por Swan Alaud. Outros do elenco são: Yolande Moreau, Jean-Pierre Daurossin,Nina Meurisse e Clotilde Hesme.
Depois ela cria sozinha seu filho, mima-o demais e ele destrói tudo o que sobrou do patrimônio da mãe. No final há uma frase que não lembro se tem no livro, que não acho que resolve, mas enfim.
Há outro filme do diretor disponível no festival que quero ver.
Assisti Marvin (2017) de Anne Fontaine no Festival Varilux de Cinema no Looke. Eu queria muito ver esse filme porque tinha gostado muito de As Inocentes dessa diretora sensível. E que filme esse também. Essa diretora entrou para a lista dos meus diretores preferidos. Comentei no blog 4 filmes dirigidos por ela.
Com narrativa entrecortada, o filme mostra dois momentos da vida de Marvin, criança e jovem. Excelentes os atores que interpretam Marvin: Jules Porier e Finnegan Oldfield. De uma família disfuncional, Marvin sofre com as brigas constantes, agressões verbais e intolerância familiar. Sensível e introspectivo, Marvin sofre na escola também com muita violência, assédio sexual e buylling. É uma professora (Catherine Mouchet) que leva o Marvin para o teatro, e vê nele uma possibilidade. Ela logo percebe os problemas familiares do garoto. É a professora que muda o destino desse rapaz. A família não incentivava os estudos, não tinham uma boa renda, a cidade era pequena e conservadora. A professora faz Marvin participar de um concurso para um internato onde teria teatro, assim ele sai daquele núcleo familiar nocivo, da escola opressora, e consegue vislumbrar um outro futuro.
Através de um relacionamento, Marvin conhece Isabelle Hubbert que atua como ela mesma. A atriz faz uma peça com o roteiro do rapaz que é autobiográfico. Sua família fica revoltada com o olhar do rapaz sobre a sua infância. Ironicamente é o pai que mais compreende e acolhe o filho. Ele tinha se separado e parece que com a nova família ganhou um olhar mais tolerante. Os pais de Marvin são interpretados por Grégory Gadebois e Catherine Saleé. O companheiro de Marvin por Charles Berling. O casal amigo do rapaz por Vincent Macaigne e Sharif Andoura).
Assisti O Poder de Diane (2017) de Fabien Gorgeart no Festival Varilux de Cinema no Looke. Eu achei que não iria mais ver algum filme dessa seleção, antes de sair do ar, tinha amado alguns, largados pela metade outros e não estava interessada nos que sobraram. Mas o 007 me lembrou que os filmes franceses de comédias nem sempre são cômicos e resolvi arriscar mais um. E é o que acontece com esse, é bem mais drama. Uma mulher que está grávida vai viver em uma casa no campo. Lá se apaixona pelo eletricista. Ela é interpretada por Clotilde Hesme e ele por Fabrizio Rongione.
Ele se afasta quando descobre que ela está grávida. Em outro encontro ela diz que o filho não é dela, é de um casal de amigos que não podem ter filhos. Eles são interpretados por Thomas Suire e Grégory Montel. Ele se reaproxima, mas está claramente desconfortável com a situação. Conservador, ele não entende porque ela fez aquilo. Ela diz claramente que nunca quis ter filhos. Eles voltam a ficar juntos, ele vai morar com ela, mas é fato que ele a julga o tempo todo. O que ele faz com ela na hora do parto é tão abominável, que não entendo como ela o procurou depois e o perdoou. Eu não sei se conseguiria. Ele é muito monstruoso. Ele entrou na história dela depois, estavam pouco tempo juntos, ele não tem o direito machista de querer decidir sobre a gravidez dos amigos dela. Eu entendo que ele não conseguisse administrar a decisão dela e dos amigos, mas se ele aceitou continuar a relação enquanto ela estava grávida, ele não poderia jamais tentar interferir naquele que foi decidido antes deles se conhecerem.
Ele é tão pavoroso, que quando ela é visitada pelos pais da criança ele faz todas aquelas perguntas machistas abomináveis, com qual dos dois ela transou, aí ela diz que com nenhum dos dois. Inacreditável que mesmo as respostas bastante verdadeiras, ele continua implicando com os amigos dela. Ele fica muito bravo que ela vai ficar um período morando com os pais da criança após o bebê nascer. Mas onde ele achou que seria diferente? Volto a dizer, se ele quis continuar com ela mesmo grávida, ele tinha que elaborar a situação e respeitar as escolhas dela. Depois do parto aí sim eles poderiam decidir juntos. Mas ele não tinha nada a ver com aquela gravidez. Outra questão que me chocou mais ainda foram as várias críticas feitas por homens que li, uma teve o disparate de dizer que o filme era sobre uma mulher insensível, outro que ela não estava nem aí para os sentimentos dos outros, tão monstruosos como o namorado dela.
Assisti O Mistério de Henri Pick (2019) de Rémi Bezançon no Festival Varilux de Cinema no Looke. Um amigo falou desse filme no Facebook e fui assistir. Absolutamente genial!
No primeiro minuto já enlouqueci. Em uma cidade interiorana, um bibliotecário cria uma sala de manuscritos de livros rejeitados por editoras. Uma jovem que trabalha em uma editora fica curiosíssima, vai lá ver os manuscritos, fica curiosa por um. Lê e percebe que tem uma grande obra nas mãos. Convence todos, publicam e o livro faz um sucesso estrondoso. Ela é interpretada por Alice Isaaz, o namorado por Bastien Bouillon.
O escritor era um pizzaiolo da cidade da biblioteca que morreu há uns dois anos. Um crítico se desentende com os familiares, começa a duvidar que tenha sido mesmo o dono da pizzaria que escreveu, e começa a investigar. A filha do dono da pizzaria fica curiosa e começa a acompanhar o crítico. Ele é interpretado por um ator que adoro, Fabrice Luchini, ele é arrogante e pretensioso. A filha do dona da pizzaria é interpretada pela linda Camille Cottin. Amo filmes que falam de livros, editoras e bibliotecas. E o roteiro de David Foenkinos é genial.
Assisti O Filho Uruguaio (2017) de Olivier Peyron no Festival Varilux de Cinema no Looke. Que filme delicado e bonito! Uma mulher e um homem vão ao Uruguai buscar uma criança.
Bem aos poucos e muito aos poucos mesmo, vamos entendendo o que aconteceu. O pai do menino morreu e a mãe vai buscar o filho. A mãe desesperada é interpretada por Isabelle Carré.
O filme é muito importante para essas famílias que tem problemas com filhos de ex-relacionamentos. O quanto um deles pode cometer desatinos e criar uma vida de mentira para uma criança. O quanto uma pessoa pode interferir emocionalmente na vida da outra não falando a verdade. Descobrimos que contaram ao menino que tanto o pai, bem como a mãe, morreram. Ele vivia com uma tia que não sabe que a mãe não morreu, então acolhe o menino como filho. Eles vivem muito, mas muito bem. O menino é muito feliz. Como desfazer essa farsa? Um assistente social vai ajudar no processo e é interpretado por Ramzy Bedia. A tia por Maria Dupláa. A avó do menino por Virginia Mendez.
O menino por Dylan Cortes. A trilha sonora é linda. Tudo é muito poético no filme.
Assisti As Inocentes (2016) de Anne Fontaine no Festival Varilux de Cinema no Looke. Falta meia hora desse filme no festival. O roteiro é de Phillippe Maynial e é baseado em uma história verídica. Há lugares que está com o péssimo nome Agnus Dei.
O filme é ambientado na Polônia, em 1945. Uma médica é chamada para ver uma doente no convento. Ela é francesa e da Cruz Vermelha, oficialmente ela não poderia ir atender as freiras por serem polonesas. Chegando lá ela descobre que tem que fazer um parto e que várias freiras estão grávidas. Russos tomaram o convento por bastante tempo e estupraram continuamente as mulheres. É um filme bastante trágico e profundo. A médica é ateia e comunista. As freiras falam muito pouco, a médica tem muita dificuldade de tratar as grávidas. Que filme delicado e profundo. Que adianta tanta fé se não ajudamos o próximo? A médica é interpretada por Lou de Laâge.
As freiras por Agata Buzek, Agata Kuleska, Joana Kulig, Anna Próchniak, Eliza Rycembel, Helena Sujecka e Klara Bielawka.
Assisti O Homem Fiel (2018) de Louis Garrel no Festival Varilux de Cinema no Looke. Eu gosto demais desse ator e ele tem enveredado para a direção, esse é o segundo filme que dirige. Em geral histórias de costumes.
O Homem Fiel é um filme bem curtinho. Começa com o protagonista levando um fora da companheira de modo muito, mas muito inadequado. Na narração, ele nos conta que eles vivem na mesma casa há 3 anos. Ela diz que está grávida, ele fica esfuziante, aí ela diz que não é dele e que vai casar dali há 10 dias com o outro. Oito anos passam-se, o marido da moça morre, e ele se reaproxima da mulher. Ela é interpretada por Laetitia Casta.
Surge então a irmã do homem que morreu. Ela é interpretada por Lilly-Rose Deep.
Outro personagem que surge com o tempo é o filho, acho que o melhor personagem do filme, interpretado pelo ótimo Joseph Engel.
Assisti Em Guerra (2018) de Stéphane Brizé no Festival Varilux de Cinema no Looke. Eu queria ver esse filme porque é o mesmo diretor de Uma Vida que comentei aqui. Eu tinha gostado muito do estilo do diretor e ficado inquieta com o modo de filmagem.
Em Guerra é mais inquietante ainda. Um grupo faz greve porque querem fechar uma indústria em uma cidade na França. Os funcionários estão revoltados porque há dois anos fizeram um acordo com a fábrica, que trabalhariam mais 5 horas para ajudar a empresa a se reequilibrar. A indústria dá lucro, leva bilhões, os funcionários só ficam com os ônus, mas os acionistas acham melhor fechar. Todos os debates vão para o livre mercado, o direito de uma indústria de ser fechada, redução de concorrência, práticas predatórias empresariais, sobre ética, desrespeito a acordos. Os mais fracos são os únicos prejudicados.
Não é um filme fácil de assistir porque praticamente o tempo todo eles estão em reuniões, manifestações e tentando que alguém faça uma reunião com eles. Essa é a parte mais irritante desses empresários e dirigentes, eles se recusam a sentar para conversar. Exploraram o quanto puderam enquanto foi conveniente em ter de cada funcionário mais 5 horas de produtividade, mas não deram o direito nem de ouvir os funcionários falarem suas reivindicações.
O filme é feito como se fosse um documentário, filmado como dá em meio a manifestações e reuniões. No estilo bem realista que já tinha encontrado no outro filme. Vincent Lindon está impressionante! No meio do elenco estão trabalhadores. É um filme muito trágico.